Na prevenção da Covid-19, que cuidados se devem ter para ”desconfinar”?

Na prevenção da Covid-19, que cuidados se devem ter para ”desconfinar”?

Na flexibilização da “quarentena”, saiba quais são os hábitos que deve manter no dia a dia para desconfinar em segurança e prevenir a Covid-19

Flexibilização não significa liberdade total… E por isso a nova fase de desconfinamento em Portugal não pode ser encarada como o fim de todos os riscos em relação ao novo coronavírus. Com a retoma progressiva das atividades fora de casa, existe uma falsa segurança de que o perigo passou e a doença já não é uma ameaça.

Salvar vidas: em família e na sociedade

É certo que o período de isolamento social foi difícil e teve um forte impacto na vida de muita gente, mas é justamente para que essa medida não volte a ser necessária que, ao desconfinar, devemos manter os cuidados com a prevenção da Covid-19. Este é o comportamento que ajudará a salvar vidas, tanto a sua e da sua família, como a do desconhecido que acabou de se cruzar consigo.

Apesar de não figurar entre os países com maior incidência da doença, Portugal tem, até ao momento, uma taxa de letalidade (considerando a divisão entre casos confirmados pelo número de óbitos) que ronda os 3,8%. Mas se olharmos “apenas” para a população com mais de 70 anos, esse índice passa para aproximadamente 16,5%. Números que merecem a nossa atenção.

egras a manter, na “reabertura” do País…

Em julho, grande parte do País começou uma fase de maior flexibilização no convívio social, permitindo, por exemplo, agrupamentos até 20 pessoas. Contudo, muitas regras ainda se mantêm, como o confinamento de doentes e pessoas em vigilância ativa, proibição do consumo de álcool na via pública, além das regras de distanciamento social, uso de máscara, lotação e horários para estabelecimentos e práticas de higiene.

E não podemos esquecer as regiões em situação mais crítica, como por exemplo as 19 freguesias da Área Metropolitana de Lisboa, que continua em confinamento com supervisão das autoridades, proibição de feiras e mercados e ajuntamentos limitados a cinco pessoas.

A reabertura faseada em Portugal só tem sido possível, por enquanto, por não existir aumento significativo no número de casos de Covid-19 e o sistema de saúde não estar pressionado.

É sempre bom lembrar:

A doença só poderá ser realmente vencida quando tivermos uma vacina ou um medicamento de facto eficientes, o que não é o caso no momento. Até lá e ao desconfinar, devemos manter as medidas que iniciámos no começo da quarentena e que já são agora a nossa nova realidade: higienização intensa, distanciamento social, uso de máscara e vigilância em relação aos sintomas.

Uma atenção especial com as crianças

As crianças em período escolar, apesar de não estarem entre os principais grupos de risco, devem ser tratadas com atenção especial, principalmente ao desconfinar. Isto porque é mais difícil evitar que elas coloquem as mãos no rosto e boca, ou que cubram a boca e o nariz na hora de espirrar ou tossir. Além disso, elas podem ser veículos transmissores do vírus SARS-CoV-2 e, assim, contaminar outras pessoas, como avós ou pais que sejam do grupo de risco.

Segundo as recomendações sanitárias, os alunos precisam ser organizados em pequenos grupos e ter aulas em horários diferentes, para reduzir a interação. Para manter as medidas de higiene, a escola tem a obrigação de disponibilizar água, sabão líquido, toalhas de papel e álcool 70%, assim como limpar regularmente as casas de banho e superfícies, além de garantir que os espaços estejam ventilados e arejados.

É necessário, ainda, manter um distanciamento de 1,5 a 2 metros entre os alunos e entre alunos e professor, mesmo considerando que todos estejam de máscara.

Grupos de risco: pela idade, e não só…

Já em relação aos grupos mais vulneráveis e de risco, a atenção para desconfinar precisa ser redobrada, pois caso se contaminem terão sintomas mais severos da COVID-19. O ideal é que idosos evitem sair de casa e, quando o façam, mantenham o máximo de isolamento e distanciamento possível. No caso de idosos que vivem com adultos e crianças que já estão a retomar as atividades presenciais, o conselho é não descuidar (nem por um minuto) da higienização.

Mas não são apenas as pessoas mais velhas que estão no grupo de risco. Portadores de doenças crónicas como as cardiovasculares, respiratórias, a diabetes, hipertensão, cancro, e pessoas imunodeprimidas (por certas doenças ou medicamentos), obesas, grávidas e fumadores também são considerados indivíduos mais vulneráveis no combate ao vírus.

A prevenção é indispensável!

Com todos os alertas feitos, sabe-se que a situação atual, chamada de o “novo normal”, ocorrerá alternando momentos de quarentena (decorrentes do re-aumento de casos) com outros de desconfinamento (após a redução dos casos).

Por isso é muito importante reforçar o passo a passo para que todos se mantenham mais seguros em ambos os casos:

  • Ao sair de casa, dê preferência a roupas que cubram a maior parte do corpo, como blusas de manga comprida, colocando sempre a máscara antes de sair para a rua.
  • É importante frisar que o uso da máscara é recomendado em todos os momentos, em espaços abertos ou fechados e inclusive em casa, se esta for partilhada com um doente com Covid-19 ou pessoas do grupo de risco. O distanciamento social também deve ser sempre respeitado.
  • Leve sempre consigo máscaras suficientes, para o caso de ser necessário trocá-las por motivo do tempo de uso ou por estarem sujas ou molhadas. Siga também as devidas orientações de troca e/ou descarte.
  • Se possível, evite deslocar-se em transportes públicos e fazer pagamentos em dinheiro, frequentar locais públicos fechados e com aglomerações, além do contacto desnecessário do seu animal de estimação com objetos, outros animais e pessoas.
  • Ao regressar a casa higienize o seu calçado e deixe-o de parte, numa caixa ou tapete junto à porta, coloque as roupas num saco ou cesto em separado, ou ponha-as para lavar de imediato.
  • Deixe a carteira, chaves e outros acessórios numa caixa próxima da entrada e limpe (com álcool a 70%) chaves, comandos, armações de óculos (atenção que nas lentes se recomenda água e sabão, para não as manchar), celulares e outros acessórios de uso dentro de casa.
  • Tome um banho ou, se não for possível, higienize todas as partes do seu corpo que tenham estado expostas.
  • O mesmo serve para os animais de estimação: devem ser higienizadas as patas e, se necessário, outras partes do corpo – com água e sabão neutro ou produtos próprios para PETs.

Nota final:

Todas estas medidas não podem garantir que uma pessoa nunca seja infetada, mas certamente ajudarão a minimizar os riscos de contaminação. Por isso, ao desconfinar coloque sempre a sua máscara e aproveite o verão com cuidado e moderação.

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