Alimentação e crises alérgicas: Qual a relação? (parte 2)

Alimentação e crises alérgicas: Qual a relação? (parte 2)

Neste espaço já falámos sobre a importância de uma alimentação saudável, para ajudar o sistema imunitário a combater doenças. Pelo contrário, certos alimentos também podem influenciar a incidência de crises alérgicas.

Sabemos que uma alimentação saudável ajuda a prevenir várias doenças mas e o contrário? Qual o impacto no nosso organismo de uma dieta escassa em nutrientes? A verdade é que é um impacto relevante. Uma alimentação inadequada está muito mais relacionada com factores como alergias e qualidade de vida, do que poderíamos supor.

Dieta equilibrada, em vez de uma dieta pobre em nutrientes

Para manter um bom sistema imunitário é essencial que tenha uma dieta equilibrada (rica em nutrientes e vitaminas). Juntar à alimentação equilibrada a prática regular de exercício físico, evitar o stress e ter boas noites de sono também ajuda a promover a saúde.

Pelo contrário, a subnutrição, uma dieta pobre em nutrientes ou com pouca variedade de alimentos tendem a prejudicar o desenvolvimento e acção do sistema imunitário. As células deste sistema dependem de diferentes nutrientes como o ferro, zinco, selénio, Vitaminas C e D, entre outros, para funcionarem de forma apropriada. Tais nutrientes são necessários em diferentes quantidades e são obtidos através de uma variedade de alimentos.

Por exemplo, os alimentos ultra-processados são bons exemplos de alimentos com efeitos negativos para o sistema imunitário, isto porque contêm baixo teor de nutrientes e apresentam pouca variedade de elementos alimentares.

Função intestinal e sistema imunitário

Outro ponto importante diz respeito à flora intestinal do organismo humano, que reporta aos microrganismos que habitam e auxiliam o corpo nas suas funções. Pesquisas têm demonstrado que esses microrganismos são fundamentais para o sistema imunitário e que a alimentação está diretamente relacionada com o tipo de microrganismos presentes.

Neste sentido têm sido investigados os efeitos da dieta ocidental, rica em açúcar refinado, carne vermelha e pobre em frutas e vegetais. A dieta ocidental pode promover distúrbios nos microrganismos que habitam no intestino, resultando na inflamação crónica deste órgão e num impacto na imunidade.

Tenha cuidado com a seleção dos produtos incluídos na nossa alimentação. As alergias são decorrentes de uma reação exacerbada do sistema imunitário e alguns alérgenos estão presentes em certos alimentos.

Segundo a DGS, as alergias alimentares mais comuns estão associadas tanto a vegetais como a frutos de casca rija (nozes), soja, trigo e amendoins, assim como alimentos de origem animal. Ovos, leite de vaca, peixe e marisco, são também uma associação comum a alergias alimentares e apesar de acontecer com menos frequência alguns indivíduos são alérgicos a mais do que um alimento, sofrendo de alergia alimentar múltipla.

Relação entre fast food e alergias

De modo geral, o consumo de fast food está associado a uma dieta de má qualidade. Da alta ingestão calórica resulta o excesso de peso e obesidade em crianças e adolescentes, que são agravantes para a ocorrência de asma e alergias. Uma dieta de má qualidade pode contribuir para a progressão da asma e de pieira.

No geral, consideram-se fast food alimentos produzidos em massa, preparados e servidos com rapidez e com baixa qualidade nutricional. São também alimentos ricos em calorias, gorduras (totais, trans e saturadas), açúcares, carboidratos simples e sódio (sal).

Num estudo observou-se que o consumo de fast food está relacionado significativamente com a asma, “Febre dos Fenos” (rinite alérgica), rinoconjuntivite ou erupções cutâneas (eczema). Entre as possíveis razões estão o baixo teor nutricional e o alto teor de gorduras saturadas destes alimentos. Estes podem também exacerbar a inflamação das vias aéreas – tomando como exemplo doenças inflamatórias respiratórias crónicas, a asma.

O perigo da Contaminação Cruzada

Acontece quando a pessoa desencadeia uma reação alérgica devido a um alimento estar contaminado com alérgenos de outro ao qual a pessoa seja alérgica. Uma pessoa alérgica a amendoins pode sofrer uma reação alérgica a outro alimento, caso este tenha sido preparado na mesma bancada onde estiveram amendoins.

Se tiver alguma alergia alimentar deve ter cuidado, para evitar que essa contaminação aconteça durante a preparação dos seus alimentos.

Algumas medidas simples:

  • Usar utensílios diferentes para preparação, confeção, empratamento e distribuição de refeições e alimentos;
  • Lavar as mãos entre as diferentes etapas de manipulação dos alimentos;
  • Não reutilizar o óleo de fritar, a água de cozedura, tábuas e bancadas para preparar os diferentes alimentos;
  • Verificar a composição dos alimentos, através dos seus rótulos, pois podem conter ingredientes aos quais a pessoa seja alérgica.

É importante mencionar que mesmo que o alimento não possua o alérgeno poderá ter sofrido contaminação cruzada durante a produção, como acontece com chocolates e frutos de casca rija.

O que é a Reatividade Cruzada?

Uma reação alérgica também pode dar-se como resultado de uma reatividade cruzada. Ou seja, quando a pessoa alérgica sofre uma reação sem que o alérgeno ao qual é sensível esteja presente na sua alimentação pode ser resultado de uma reatividade cruzada.. 

Na verdade, este tipo de reação é uma ‘confusão’ do sistema imunitário, decorrente da semelhança entre duas proteínas presentes em compostos diferentes. Deste modo, uma proteína inofensiva passa a causar alergia. O sistema imunitário confunde-a com a proteína de um alérgeno ao qual a pessoa é realmente alérgica.

Este tipo de reação pode ocorrer entre substâncias semelhantes, como ovos e leites originários de várias espécies, ou ainda em reações menos óbvias, entre pólen e frutas, ou ácaros e crustáceos, etc.

Pessoas alérgicas ao látex tendem a reagir também ao kiwi, enquanto alérgicos ao pólen de bétula também estão sujeitos a sofrer reações ao comerem maçãs.

Planeie adequadamente a sua alimentação, assim como o tipo de alimentos que consome. O apoio de médicos e nutricionistas ajuda a garantir uma dieta diversificada. Sendo preparada adequadamente e de forma segura não terá carências nutricionais, ajudando ao bem da saúde e qualidade de vida.

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