Como surge uma alergia? Saiba tudo!

Como surge uma alergia? Saiba tudo!

Existem muitas dúvidas sobre as alergias

O que faz o corpo reagir contra algumas substâncias? O que leva algumas pessoas a serem alérgicas e outras não?
Saiba como funciona essa reação e como minimizar os seus impactos.

Há mais de um século que a alergia já é estudada no contexto médico, procurando entender-se as características de uma reação particular do organismo. Hoje, segundo o Atlas Global da Alergia, a condição é definida como hipersensibilidade imunitária, que pode levar a uma variedade de doenças diferentes através de diferentes mecanismos patológicos.

Como se manifesta a alergia

Para quem sofre com alergias a descrição pode ser ainda mais direta: muito incómodo, desconforto e até risco de vida, nos casos mais graves.

A alergia não é uma doença em si, mas um caminho para que o corpo desenvolva uma doença. E existem diversas formas de uma reação alérgica se manifestar, como por exemplo a anafilaxia, urticária, angioedema, rinoconjuntivite alérgica, asma alérgica, dermatite atópica (eczema), entre outras.  

É possível desenvolver reações alérgicas em muitos órgãos, nas mucosas (como a do nariz) e pele, por funcionarem como um tipo de fronteira entre a pessoa e o ambiente externo, costumam ser as mais atingidas. Crianças alérgicas não serão necessariamente adultos alérgicos, pois em alguns casos a alergia pode desaparecer no decorrer da vida. E o contrário também acontece: os adultos podem desenvolvê-la tardiamente.

Mecanismo de defesa

Quem dita as regras das nossas defesas corporais é o nosso sistema imunitário. Isso porque a reação alérgica tem início numa ação de mecanismos imunológicos, principalmente mediados pelas Imunoglobulinas da classe E (IgE) ou por células.

Vejamos o exemplo dado pela Academia Americana de Alergia, Asma e Imunologia, referindo que nos indivíduos com alergia ao pólen, o sistema imunitário identifica esse pólen como um invasor ou alérgeno. Por isso este sistema reage exageradamente, ao produzir anticorpos chamados Imunoglobulina E (IgE), os quais por sua vez chegam até às células que libertam substâncias químicas. A partir desse momento órgãos como os pulmões, garganta e pele começam a exibir os sintomas que nos fazem identificar a crise alérgica.

Cada tipo de IgE possui um “radar” específico para cada tipo de alérgeno. Isto significa que, por exemplo, se uma pessoa tem alergia aos ácaros, o seu corpo tem IgE específicos para ácaros, enquanto outras que sofrem com diversos tipos de alergias podem ter mais tipos desses anticorpos.

Ainda há muitas dúvidas sobre o porquê de algumas substâncias desencadearem alergias e outras não; e também pelo facto de algumas pessoas terem reações alérgicas, e outras não.

Apesar de não existir uma resposta concreta, segundo a Academia Americana de Alergia, Asma e Imunologia, um histórico familiar de alergias é o fator mais importante para o risco de desenvolver uma doença alérgica.

Alergias mais comuns

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 400 milhões de pessoas no mundo sofrem com rinite alérgica, e mais de 300 milhões com asma. São condições que afetam qualquer pessoa, independentemente da idade, género ou nível socioeconómico. Contudo alguns fatores, além do histórico familiar, podem influenciar o desenvolvimento ou agravamento das alergias, como hormonas, stress, fumo, perfume ou irritantes ambientais.

Há ainda os casos de alergia alimentar, definida como uma reação adversa à comida, que envolve um mecanismo imunitário. Segundo a OMS, atualmente são conhecidos mais de 70 tipos de alimentos capazes de provocar essa reação adversa.

Entretanto, refira-se que alergia e intolerância alimentar não são a mesma coisa. A diferença é que a segunda não envolve um mecanismo imunitário, pelo que o termo adequado, nesses casos, é hipersensibilidade não-alérgica a um alimento.

Asma e alergia

É comum que asma e alergias ocorram frequentemente em simultâneo, explica a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica. Ou seja, pessoas com rinite alérgica, eczema atópico, alergia alimentar ou com histórico familiar de asma têm maior probabilidade de desenvolver asma. Algumas situações reforçam essa hipótese:

  • Muitos asmáticos identificam alérgenos (exposição a ácaros, animais ou fungos) como fatores desencadeantes para a sua asma;
  • Na criança, a sibilância, popularmente conhecida por pieira, evolui frequentemente para asma se estiver presente um fundo alérgico;
  • 75% dos adultos com asma têm rinite alérgica;
  • 50% dos doentes com rinite alérgica têm asma;
  • O tratamento da rinite pode melhorar os sintomas da asma, principalmente a tosse.

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