Sabe reconhecer os sintomas da asma? E como evitá-los?

Sabe reconhecer os sintomas da asma? E como evitá-los?

Conheça os principais sintomas da asma e saiba se a doença crónica pode agravar casos de COVID-19

A asma é uma doença crónica que atinge milhares de pessoas em todo o mundo. Com o aumento da população nas zonas urbanas, a expectativa é que haja um aumento acentuado no número de pessoas com asma em todo o mundo nas próximas décadas. Aliás, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que pode haver mais 100 milhões de pessoas com asma até 2025. Por exemplo, em Portugal, cerca de 10% dos habitantes têm asma crónica, constituindo um problema de saúde pública.

Se for o seu caso, sabe que o principal alvo da doença são as vias respiratórias nos pulmões, que permitem que o ar entre e saia dos pulmões – uma função vital. Certamente saberá que o problema é que, quando se é asmático, essas vias aéreas estão sempre inflamadas. Logo, quando certas substâncias, chamada de gatilhos (estímulos), entram em contato com essas vias o seu corpo pode reagir de duas formas:

  1. Os músculos à volta das paredes das vias aéreas contraem-se, fazendo com que estas se tornem mais estreitas;
  2. O revestimento das vias aéreas inflama e começa a inchar – às vezes acumula-se um muco pegajoso ou catarro, o que pode estreitar ainda mais as vias respiratórias;

Consequentemente o ar não passa normalmente, gerando uma dificuldade respiratória, assim como os conhecidos sintomas: tosse, pieira, respiração ofegante e aperto no peito.

Causas e sintomas

As causas são diversas, tendo influência tanto de fatores genéticos como de fatores ambientais. Alguns dos gatilhos para asmáticos, isto é, substâncias que podem desencadear os sintomas de asma, vão desde infeções virais, causadores de irritações presentes no ar (fumo, poluição, etc.), a agentes ocupacionais, medicamentos e alérgenos.

Alérgenos são substâncias normalmente inofensivas (como as presentes em ácaros, pelos de animais, pólen ou mofo), mas que incitam uma resposta do sistema imunológico em pessoas alérgicas. Felizmente, esta doença não é contagiosa. Ou seja, se é asmático saiba que esta doença não se pega e não é transmitida de uma pessoa a outra.

Além dos agentes causadores de irritações, assim como os alérgenos mencionados acima, o exercício físico – especialmente realizado ao ar frio – pode ser um gatilho para a doença. Saiba também que o vento seco e mudanças repentinas nas condições meteorológicas podem influenciar neste sentido. Por fim, o contexto emocional, em especial emoções fortes como raiva, medo, excitação e choro, também alteram a respiração, independentemente se tem ou não asma. Contudo, para asmáticos esse tipo de alteração poderá ser mais um gatilho para os sintomas da asma.

Tipos específicos de asma

Muitos asmáticos também têm alergias. Quando os alérgenos inalados são os gatilhos para a asma, utiliza-se a denominação asma alérgica, sendo esta o tipo mais comum da doença. Existe ainda a asma ocupacional, que é causada por gatilhos presentes em ambientes de trabalho, e a asma induzida por exercícios (AIE), que ocorre exclusivamente quando a pessoa pratica exercício físico. Por fim existe a asma grave, que abrange uma parcela pequena dos asmáticos e exige tratamento especializado. Isto porque os medicamentos habituais não conseguem controlar os sintomas.

Diagnóstico e tratamento

Mas como saber se tem asma? Primeiro, deve fazer-se uma avaliação do seu histórico familiar. Se tem pais ou avós asmáticos ou alérgicos é mais provável que desenvolva a doença. Depois é necessária uma avaliação/ exame médico, para confirmar se os problemas respiratórios observados são indicativos da asma. Se a avaliação ocorrer periodicamente maiores são as hipóteses de manter um plano de ação atualizado, dando-lhe uma melhor proteção contra os gatilhos e sintomas.

Com o devido acompanhamento, pode saber se o uso do inalador, ou bomba, está correto e se há necessidade de mudar quaisquer outros medicamentos. Também é a forma de criar um plano e identificar os gatilhos da asma, como os alérgenos associados à asma alérgica. Um plano de ação também pode ajudar a controlar os seus sintomas da asma e saber a melhor forma de tratá-los.

Segundo a Organização Mundial de Alergia, o diagnóstico de asma em crianças com menos de cinco anos é difícil, devido à mudança de conceitos sobre o que é a verdadeira asma nesta faixa etária. Saiba que a pieira/ chiado pode ocorrer nesta idade, sem asma, e que os testes de função pulmonar que confirmam a doença são difíceis de realizar. A maioria da pieira em idade pré-escolar torna-se assintomática na idade escolar, independentemente do tratamento.

Vale lembrar que não há cura para a asma. Se a doença lhe foi diagnosticada corretamente e estabelecido um plano de tratamento, será capaz de controlar a sua condição. Isto significa que conseguirá melhorar a sua qualidade de vida.

Os asmáticos são grupo de risco para a COVID-19?

Ainda não está claro se a asma aumenta o risco de infecção ou resulta em casos graves da COVID-19. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) considera que os pacientes com asma moderada a grave ou não controlada podem ter maior risco de ter uma doença mais severa. Contudo, a OMS (Organização Mundial da Saúde), entre outros órgãos, apontam que as revisões de estudos sobre o assunto não detectaram um aumento claro no risco de infecção e de casos mais graves de COVID-19 em asmáticos. Desta forma mantêm-se algumas incertezas sobre o assunto. Por outro lado, diversos órgãos, como a OMS, destacam que entre os asmáticos com COVID-19, aqueles que têm asma não-alérgica ou Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) parecem estar mais vulneráveis a agravamentos da COVID-19.

Se tem asma, o ponto principal durante esta pandemia é continuar o seu tratamento, seguir as recomendações dadas pelo seu médico e informá-lo sobre quaisquer sintomas que venha a desenvolver. Deste modo, evitam-se os ataques de asma ou complicações que podem exigir uma ida ao hospital.

Além disso, é necessário que todos continuem a cumprir as recomendações das autoridades sanitárias. Use máscara sempre que sair de casa, mantenha o distanciamento social, higienize frequentemente as mãos e cubra a boca e o nariz sempre que espirrar.

banner-airfree-pt