Qual a melhor máscara e como usá-la corretamente?

Qual a melhor máscara e como usá-la corretamente?

Entenda as diferenças entre os diversos tipos de máscaras e se interferem com a sua respiração

O uso da máscara de proteção tem sido um dos maiores aliados no combate à disseminação do vírus SARS-CoV-2, responsável pela COVID-19. A orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é clara: enquanto a pandemia permanecer, use máscaras seguras, que cubram o nariz e a boca, mantenha o distanciamento social, evite aglomerações, higienize regularmente as mãos, tenha cuidado com a etiqueta respiratória e com a circulação de ar nos ambientes.

Em Portugal, o uso de máscaras é obrigatório para todas as pessoas acima de 10 anos, conheça as situações em que o uso é obrigatório:

  • Espaços interiores fechados, com várias pessoas. Como por exemplo, estabelecimentos comerciais, de prestação de serviços, edifícios de atendimento ao público, instituições de ensino e creches;
  • Transportes públicos;
  • Espaços e vias públicas, onde o distanciamento físico recomendado pelas autoridades de saúde não pode ser assegurado.

Quais os tipos de máscara existentes?

Existem diversos tipos de máscaras, que podem agrupar-se em três grupos principais:

Máscaras sociais

São máscaras de tecido, que devem ter duas ou três camadas, pois são as camadas que formarão uma barreira de proteção contra o vírus. São reutilizáveis e de baixo custo para a população. Porém, oferecem-lhe um grau limitado de proteção. Ajudam a reduzir as partículas libertadas no ar, por quem as usa. A proteção ainda está condicionada a um bom ajuste ao rosto e ao bom estado do tecido/ elástico, assim como à higienização com água e sabão após cada uso.

Máscaras cirúrgicas

Têm um bom sistema de filtragem (superior às de pano) e são eficazes para evitar que quem as use emita partículas contaminadas para o ar. Pode adquiri-las em farmácias e estabelecimentos comerciais. Além de terem preços mais acessível do que os modelos N95, KN95 e FFP2, a desvantagem é que por não se ajustarem bem ao rosto poderem permitir tanto a entrada como a saída de partículas respiratórias – como os vírus. Apesar de em certos casos poderem ser reutilizadas, se estiverem íntegras, de modo geral são descartáveis, resultando num grande volume de compra e descarte.

N95 ou FFP2 (PFF2)

São máscaras certificadas, com boa vedação (ajustada com elástico atrás da cabeça) e sistemas de filtragem mais eficientes. Garantem a proteção de quem a usa e de outros, contra o vírus, pois retêm tanto as partículas liberadas pelo indivíduo como as presentes no ar. Como ponto negativo, costumam ser mais caras do que as máscaras sociais e cirúrgicas. Geralmente os fabricantes recomendam usá-la apenas uma vez. Contudo, devido à pandemia, algumas recomendações sugerem que poderiam ser reutilizadas, desde que estejam íntegras. Para isso, deixe a sua máscara pendurada num sítio arejado, onde não bata o sol direto, por pelo menos 3 dias antes de reutilizá-la. Não a lave nem passe produtos como álcool.

KN95

É um produto semelhante às máscaras N95, com sistema de filtragem que pode ser melhor do que o das máscaras de tecido e cirúrgicas, porém também com preços mais elevados. De modo geral o elástico fixa-se nas orelhas, o que reduz a sua vedação no rosto. O maior cuidado está em verificar a origem deste tipo de máscaras, pois estão disponíveis várias falsificações no mercado. A sua reutilização está sujeita às mesmas condições de reutilização das máscaras FFP2 e N95.

Como utilizá-las corretamente?

Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), para que a máscara seja realmente segura e ajude na prevenção do contágio da COVID-19 esta precisa de tapar completamente o seu nariz e boca. Além disso, deve encaixar-se confortavelmente nas laterais do seu rosto e não deixar espaços vazios, por onde o ar possa passar. O órgão sugere ainda máscaras que possuam mais de uma camada e uma tira de metal próximo do nariz, para evitar que o ar escape pela parte superior da máscara. No caso de crianças, é importante encontrar um modelo mais pequeno, que permita o ajuste adequado.

Atenção para as máscaras que têm válvulas de expiração ou aberturas: não deve utilizá-las, pois estas aberturas permitem a passagem do vírus para fora da máscara.

Não se esqueça de lavar as mãos antes de colocar a máscara e de não tocá-la mais, durante a utilização. Se tem de ajustar frequentemente a sua máscara, é um sinal de que precisa substituí-la, ou tentar um modelo diferente de máscara.

Falta de ar associado ao uso – mito ou realidade?

Segundo a OMS, o uso prolongado de máscaras cirúrgicas utilizadas corretamente não causa intoxicação por CO2 (dióxido de carbono), nem deficiência de oxigénio. Certamente que se utilizar uma máscara durante muitas horas pode causar desconforto.

Se tem asma grave ou dificuldade em respirar e, por isso, não consegue usar uma máscara, evite sair e fique em casa o quanto possível. Proteja-se da COVID-19 e, se for necessário sair, mantenha a distância de pelo menos 2 metros das outras pessoas.

Exercício físico com máscara é prejudicial?

Existem diversas discussões sobre o perigo de fazer exercício físico de máscara. De acordo com os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC), o uso de máscara, por pessoas saudáveis, durante o exercício não tem mostrado ser prejudicial. No entanto, se tem alguma doença no pulmão ou coração, deve consultar o seu médico, de forma a avaliar o uso da máscara durante o exercício físico, tendo em conta a sua condição.

Além do uso de máscaras, os CDC ainda recomendam que a prática de exercício físico intenso seja realizada, sempre que possível, em espaço externos e mantendo o distanciamento social, sobretudo se essa atividade for dificultada pelo uso da máscara. E lembre-se: tenha sempre consigo máscaras extra, para uma eventual troca, por exemplo, caso a sua máscara fique húmida da transpiração dos exercícios.

Há quem acredite que o uso de máscara faz com que se inale novamente o dióxido de carbono exalado durante a atividade física – resultando em maiores concentrações de dióxido de carbono no sangue – e uma dificuldade em respirar. No entanto, de acordo com a Escola de Medicina de Harvard (EUA) – num estudo publicado a 3 de novembro de 2020 pelo International Journal of Environmental Research and Public Health – não foram encontradas evidências que sustentassem estas preocupações.
Os investigadores pediram para que pessoas saudáveis ​​e ativas realizassem exercícios de ciclismo até à exaustão, em três ocasiões. Para cada treino, os praticantes de exercícios usavam uma máscara cirúrgica, uma máscara social (de tecido) ou nenhuma máscara. Não foram identificadas alterações significativas na inalação de oxigénio ou nos níveis de dióxido de carbono no sangue, quer os praticantes de exercícios usassem ou não uma máscara facial.

Use máscara!

Em conclusão, isto significa que embora as máscaras lhe possam parecer desconfortáveis estas ajudam a protegê-lo contra a COVID-19. Saiba também que não interferem nos seus esforços para manter a sua boa saúde física durante a pandemia. Portanto, o nosso conselho é que continue a usar a sua máscara e siga as orientações dos órgãos de saúde. Desta forma estará a ajudar a controlar o novo Coronavírus e restaurar o convívio social em todo o mundo.

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