Outono em Portugal: muito mais do que castanhas assadas!

Outono em Portugal: muito mais do que castanhas assadas!

Conheças algumas curiosidades da estação e os cuidados necessários para evitar alergias sazonais

22 ou 23 de setembro é o começo oficial do outono, estação do ano entre o verão e o inverno, durante a qual as temperaturas diminuem gradualmente. No hemisfério norte o outono tem início entre estas datas, assim como o equinócio de outono (quando dia e noite têm a mesma duração) e vai até o solstício de inverno (o dia mais curto do ano, que ocorre em 21 ou 22 de dezembro).

Em Portugal, o conceito de outono está relacionado com colheitas diversas e vindimas. Neste período existem muitos rituais e festas que giram em torno da importância da estação na produção de alimentos. Isto ocorre porque, com a proximidade do inverno, os animais começam a recolher mais alimentos para estarem abastecidos no período mais frio.

Além disso, animais com pelos geralmente ficam com a pelagem mais grossa para protegerem-se da estação seguinte: o inverno. Outras estratégias de proteção é a migração de diversos pássaros em direção ao Equador.

O que acontece com as folhas no outono?

Assim como os animais as árvores também passam por mudanças significativas no outono, como forma de autoproteção. Ou seja, muitas delas perdem as suas folhas que caem ao chão criando tapetes de folhagem amarela e avermelhada. Uma das principais e típicas ‘imagens’ da estação.

Enquanto as plantas mais resistentes (perenes ou ‘sempre verdes’), de climas frios, têm cera e resina mais grossas, para proteger as suas folhas do congelamento e quebra, outras espécies – chamadas decíduas têm – têm folhas mais finas e mais suscetíveis a temperaturas frias.

A queda de folhas nestas espécies decíduas é essencial, pois se as árvores não deixassem cair essas folhas ficariam com milhares de ‘apêndices’ improdutivos e, portanto, sem como produzir alimentos através da fotossíntese. Além disso, sem as folhas evitam-se certos danos na planta, como o do peso acumulado da neve, e descartam-se as folhas danificadas – comidas por insetos durante o verão, afetadas por doenças, entre outros.

Em suma, deixá-las cair dá à planta um novo começo na primavera e os nutrientes das folhas em decomposição são reciclados para ajudar o crescimento da próxima geração. À medida que as folhas caem, a planta entra em dormência, economizando energia para a grande explosão de botões após o inverno.

O Magusto

Ao falar de festas culturais não há como deixar de lado a celebração de São Martinho. A meio do outono, no dia 11 de novembro, muitas famílias reúnem-se para assar castanhas, acompanhadas de jeropiga e água-pé, produzidos com a colheita do verão anterior.

O costume remete à história de Martinho de Tours – um militar, monge, bispo e santo católico (n. 316 – f. 397). Segundo a lenda, certo dia o soldado romano estava a caminho da sua terra natal quando encontrou um mendigo que lhe pediu esmola. Como fazia muito frio, Martinho rasgou a sua capa em duas metades e deu uma ao mendigo.

De repente o frio parou e o sol quentinho apareceu. Acredita-se que esta mudança no estado do tempo tenha sido a recompensa pela sua generosidade. Assim, diz-se que na véspera e no Dia de São Martinho o tempo melhora e o sol aparece, tal como sucedeu há séculos atrás. É o que chamamos de “verão de São Martinho”.

Alergias e outono em Portugal

O outono não é a época com maior concentração de pólen no ar, mas vale a pena ficar atento às indicações da Rede Portuguesa de Aerobiologia, que divulga um calendário e boletins polínicos sobre as regiões portuguesas. Dependendo da região e do tipo de planta (pólen), pode ser atingido por sintomas já conhecidos das pessoas alérgicas: crises de espirros, comichão nos olhos e nariz a pingar.

De modo geral, os pólenes com ocorrência nos meses do outono (ou próximos) são das seguintes plantas: Castanheiras, Ciprestes e Quenopódios. Contudo, existem plantas com recorrência de pólen ao longo de todo o ano, como a Alfavaca de Cobra (Parietaria spp), a Artemísia, as gramíneas e os Eucaliptos.

A melhor forma de evitar alergias, contudo, continua a ser evitar os seus alérgenos sempre que possível. Depois de passar algum tempo ao ar livre, tome banho, troque e lave suas roupas. Ao trabalhar ao ar livre, use chapéu, óculos escuros e uma máscara com filtro apropriado capaz de reter partículas microscópicas, como o pólen (por exemplo, a máscaras PFF2).

Comer local e sazonal

Mas para aproveitar completamente o outono é preciso provar as delícias típicas da estação, como as castanhas, os dióspiros, as romãs e as uvas. É também uma época importante para as maçãs e peras, banana da Madeira e ananás dos Açores.

Comer localmente, de produtores próximos, é uma dica que vale o ano todo, mas apostar nos alimentos sazonais – mais frescos e saborosos – é um hábito que favorece a saúde e enriquece o paladar, além de ser economicamente mais acessível.

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