O que são e qual a função das bactérias?

O que são e qual a função das bactérias?

De causadoras de doenças a reguladoras do nosso intestino, as bactérias estão presente em todo os cantos do mundo. Saiba que tipos existem e como distingui-las dos vírus.

As bactérias são um bom exemplo da máxima: menos é mais. Microrganismos unicelulares, elas têm uma estrutura celular mais simples do que a de outros organismos, pois não há núcleo ou organelas ligadas à membrana.

Ao mesmo tempo, toda a sua simplicidade permite uma reprodução extremamente eficaz, por uma divisão simples (fissão binária), na qual uma bactéria se divide em duas bactérias. Isto pode acontecer, dependendo da espécie da bactéria e de condições favoráveis (temperatura, nutrientes), a cada 20 minutos. Para se ter uma ideia, a partir de uma única bactéria pode-se chegar a cinco bilhões delas após 12 horas de cultura!

A classificação ocorre de acordo com a sua forma básica: esférica (cocos), bastão (bacilos) ou curva – na forma de espiral (espirila), vírgula (vibrião) ou saca-rolhas (espiroquetas).

As bactérias podem existir como células únicas, em pares, cadeias ou clusters. Algumas vivem noutros organismos, sejam plantas, animais ou até mesmo humanos. E não há como escapar: existem aproximadamente 10 vezes mais células bacterianas do que células humanas nosso corpo, afirma a Sociedade de Microbiologia da Inglaterra e do País de Gales.

Qual a sua função?

Uma importante função das bactérias no nosso organismo é cuidar da nossa saúde, ajudando em vários processos. A partir de um complexo ecossistema, que inclui bactérias benéficas e outras prejudiciais, estas acabam por viver num delicado equilíbrio que pode ser alterado, inclusive pelo uso de antibióticos. Portanto, o uso adequado destes medicamentos, sob acompanhamento médico, e a manutenção deste equilíbrio são fundamentais para manter-nos vivos e saudáveis!

Por exemplo, a maioria das bactérias do corpo humano estão alocadas no sistema digestivo. Além de garantir o bom funcionamento dos intestinos, as bactérias produzem uma série de compostos que interagem com o cérebro, como a serotonina – um neurotransmissor ligado ao bem-estar.

Já quando falamos de alimentação, as bactérias têm uma dupla função, ou seja, são capazes de deteriorar alimentos e danificar as colheitas, mas também são extremamente úteis na produção de alimentos fermentados, como o iogurte.

E os produtos lácteos?

No caso do leite, retirado de uma vaca saudável, inicialmente as poucas as bactérias presentes vêm da pele da vaca e dos procedimentos de manuseio. Mas caso o leite não seja devidamente processado dá-se um crescimento intenso de bactérias. Isto pode estragá-lo e ser um sério risco para a saúde, sobretudo se tiver bactérias transmissoras de doenças (patogénicas) provenientes de animais infetados.

A pasteurização é um dos procedimentos mais comuns para eliminar as bactérias patogénicas. Ferve-se o leite lentamente, cerca de 30 minutos, a 60°C ou num processo rápido (15 segundos) com temperaturas superiores a 70°C.

Vale mencionar que no caso de produtos lácteos fermentados, as bactérias são utilizadas de forma controlada. Por exemplo, o leitelho (também conhecido como soro de leite coalhado ou leite de manteiga) é preparado a partir do leite inoculado com uma cultura inicial de Lactococcus (geralmente L. lactis ou L. lactis cremoris). O iogurte e diversos queijos também são produzidos de maneira semelhante, usando diferentes culturas de bactérias.

Doenças causadas por bactérias

As doenças bacterianas têm desempenhado um papel dominante na história humana. Segundo a Enciclopédia Britânica, até meados do século XX, a pneumonia bacteriana foi provavelmente a principal causa de morte entre os idosos.

No início do século XXI, a tuberculose, causada pelo Mycobacterium tuberculosis, estava entre as doenças infeciosas mais mortais em todo o mundo. Outras doenças bacterianas graves incluem cólera, difteria, meningite bacteriana, tétano, doença de Lyme, gonorreia e sífilis.

Reduziu-se a incidência de doenças bacterianas devido aos avanços modernos como o saneamento, o desenvolvimento de vacinas bacterianas e a descoberta de medicamentos antibacterianos – os antibióticos. Mas não desapareceram! Pelo contrário, continuam a evoluir, criando variantes cada vez mais virulentas e adquirindo resistência a muitos antibióticos.

Assim, além dos antibióticos, o combate às infeções bacterianas pode ser feito através do uso de agentes bioterapêuticos ou probióticos. Isto é, bactérias inofensivas que interferem na colonização por bactérias patogénicas. Bem como através do uso de vírus bacteriófagos, capazes de matar bactérias específicas.

Diferença entre vírus e bactérias

Segundo o Instituto de Biociência Molecular da Universidade de Queensland, é preciso saber diferenciar as bactérias dos vírus. Uma vez que estes não podem ser tratados com antibióticos, nem as bactérias com antivirais.

Embora as infeções bacterianas e virais sejam diferentes, muitas vezes estão relacionadas. Por isso, cabe ao médico indicar o tratamento adequado para combater a doença e evitar infeções bacterianas, especialmente em ambientes como hospitais. Um exemplo claro desta situação é a COVID-19, causada pelo SARS-CoV-2.

A nível biológico, a principal diferença é que as bactérias são células de vida livre. Podem viver dentro ou fora do corpo (isto é, no ambiente). Por sua vez, os vírus são uma coleção de moléculas não vivas que precisam de um hospedeiro para sobreviver e reproduzirem-se.

Os vírus são um conjunto de diferentes tipos de moléculas que consistem em material genético (um DNA ou RNA de fita simples ou dupla), com um revestimento de proteína e, às vezes, uma camada de lipídios (gorduras), chamada ‘envelope’.

Uma vez dentro de uma célula viva, os vírus assumem todo o mecanismo celular e forçam a célula a produzir novos vírus. Ao longo deste processo causam doenças como a gripe, a herpes simples, o ébola, o Zika, a COVID-19 e até a conhecida constipação sazonal.

Se as bactérias estão entre nós (felizmente!), basta manter o autocuidado em dia, com uma boa dieta, higiene, rotina saudável e acompanhamento médico regular. De resto, elas já sabem o que fazer para manter-nos em plena forma.

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