Alergias em Crianças: Como explicar-lhes do que se trata

Alergias em Crianças: Como explicar-lhes do que se trata

É importante explicar às crianças em que consistem as alergias, alertando-as para os perigos das crises alérgicas.

Alergias em crianças são comuns e quem tem filhos ou convive com crianças sabe que basta uma distracção para as crianças sujarem as mãos e levá-las aos olhos e à boca. Quando interagem com outras crianças, seja na escola ou no parque, é inevitável o contacto com a sujidade e todos os microrganismos nela presentes. Portanto, como fazê-los compreender os limites necessários para não ficarem doentes ou desencadear uma alergia?

Alergias e seus graus de gravidade

De acordo com a Fundação Americana de Asma e Alergia, uma alergia surge quando o sistema imunitário reage a uma substância estranha, chamada de alérgeno. Pode ser algo que a pessoa come, inala para os pulmões, injecta no corpo, ou toca. Dependendo de cada organismo essa reação difere em sintomas, intensidade e frequência.

Alguns exemplos de sintomas são: tosse, espirros, comichão nos olhos, garganta inflamada, erupções cutâneas, urticária e ainda ataques de asma – podendo, em casos mais severos, levar à morte.

Genericamente não existe cura para as alergias. Seja como for, a orientação é de que se previna o aparecimento de crises evitando-as ou, pelo menos, reduzindo o contacto com o alérgeno.

Um médico especialista também deve ser consultado. Desta forma será prescrito o tratamento mais adequado para os diferentes casos de reações alérgicas a que as pessoas podem estar sujeitas.

Alérgenos comuns na alergia

Nas crianças, não é raro o desenvolvimento de alergias. Alguns dos causadores comuns são o pólen, picadas de insectos, animais domésticos, ácaros, bolor e alimentos, em especial o amendoim, ovos, leite e produtos lácteos.

Sem dúvida que os factores psicológicos podem ser uma agravante para condições alérgicas, conforme explica o Atlas Global de Alergia. Estudos já comprovaram que o stress é capaz de influenciar crises de asma e eczema. Deste modo, o papel do médico não deve estar restrito apenas aos efeitos físicos das alergias. É fundamental que o tratamento se estenda também ao acompanhamento psicológico, tanto da pessoa alérgica como dos seus familiares.

Alergia e o perigo do bullying

O acompanhamento psicológico é essencial. As crianças com alergias estão sujeitas a inúmeras situações de risco, assim como também a sofrerem de bullying ou serem excluídas por causa das suas alergias.

Este ‘assédio’ de colegas pode resultar não só em problemas físicos e psicológicos mas também colocá-las em risco de vida.

É necessário ter-se muita atenção e tomar medidas para evitar estas situações problemáticas, assim como outras de risco. Por exemplo, em actividades escolares, mas não só, que envolvam animais de estimação, aulas de culinária, festas ou mesmo em refeições.

A escola deve também ter o papel de incluir a criança nestas acções de prevenção, por exemplo, evitando alimentos aos quais ela seja alérgica.

Alergia a Medicamentos

Em caso de alergia a medicamentos a criança deve andar sempre com uma lista, dos que lhe são proibidos, anotada num caderno ou no telemóvel.

  • Identificar a reação. Converse com a criança sobre os sintomas mais comuns. Desta forma irá aprender a identificá-los rapidamente, para pedir ajuda em caso de uma crise alérgica.
  • Saber tratá-la. Ensine o seu filho a utilizar o(s) medicamento(s) prescrito(s) e a nunca sair de casa sem eles. Estar preparado para uma reação alérgica é a chave para uma vida segura.
  • Recrutar aliados. Faça dos amigos do seu filho os seus aliados. Estes podem ajudar a evitar alérgenos no dia a dia, sabendo como ajudar em caso de uma reação alérgica.

Consciencializar e promover a autonomia

É importante que os nossos filhos saibam identificar o que gera uma alergia. A par disso, é necessário que ambientes como a escola – onde as crianças passam boa parte do dia – estejam cientes das condições de cada aluno.

Para evitar e controlar crises alérgicas em crianças, é fundamental ter conhecimento da terapêutica e orientações médicas. Assim sendo, é essencial ter acesso aos contactos de emergência das crianças.

Entretanto, não podemos esperar que as crianças sejam totalmente responsáveis pelas suas alergias. Mas tem-se debatido a necessidade de que tenham maior autonomia e conhecimento para lidar com essa condição, juntamente com a família e professores.

Quanto mais cedo souberem como funciona a alergia, e que comportamentos adoptar, mais rapidamente poderão agir, evitando maiores riscos e impacto na sua saúde.

Orientar para a responsabilidade

Em resumo, não existe uma regra exacta para abordar o tema e as orientações podem variar de acordo com o tipo de alergia da criança, a sua saúde e ambiente no qual está inserida. Sem dúvida que determinados conselhos ajudam os pais e educadores a propiciar uma orientação básica, que possa acolher e tranquilizar os mais jovens nesses momentos.

Por exemplo, a Anaphylaxis Campaign (Campanha de Anafilaxia), instituição de caridade no Reino Unido focada em apoiar pessoas em risco de alergias graves, indica algumas dicas’ como:

  • Manter a calma. Reduza a própria ansiedade. Informe-se sobre as alergias com a finalidade de passar tranquilidade às crianças.
  • O cuidado com a linguagem ao falar da alergia. Embora seja importante transmitir seriedade, falar apenas dos perigos e fazer referências constantes à possibilidade de morte não vai ajudar. Evite inspirar medo e pânico.
  • Conhecer os alérgenos. Se o seu filho for alérgico a alimentos, leia os rótulos de todos os produtos e ensine-o a fazer o mesmo. Do mesmo modo, é importante que o motive a perguntar sobre os ingredientes das refeições quando vai a restaurantes ou a casa de amigos.
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