Alergia ao sol: e agora?

Alergia ao sol: e agora?

Conheça os principais sintomas da sensibilidade ao sol e descubra como o seu corpo pode reagir ao excesso de exposição solar

O favorito do verão e das férias na praia, o sol pode deixar marcas. Estas variam de duração e formato, dependendo da pele de cada um. Certamente já teve, mesmo em criança, lesões causadas pela exposição excessiva ao sol – a que comumente chamamos “alergia ao sol”.

E porque acontece isto? A pele absorve a radiação ultravioleta (UV) – presente na luz solar – produzindo portanto alterações da epiderme e da derme. É neste momento que o bronzeado, por ir além do recomendado, se transforma na temida queimadura solar.

Principais sintomas da alergia ao sol

Então, se as queimaduras nos atingem a todos, porque uns são mais afetados do que outros? Isto acontece também devido à sensibilidade dermatológica à luz e/ ou a compostos que reagem a ela. Segundo a Escola de Medicina de Harvard, em geral, a sensibilidade ao sol (Fotossensibilidade) é uma reação do sistema imunológico que resulta, na maioria das vezes, em lesões na pele como comichão e vermelhidão.

Além destes, outros sintomas possíveis são: irritação, sensação de ardor (ou queimadura), possíveis bolhas na pele e, raramente, algum outro tipo de erupção cutânea. As localizações mais comuns incluem o “V” do pescoço, as costas das mãos, a superfície externa dos braços e a parte inferior das pernas.

Não é claro o porquê do corpo desenvolver esta reação. No entanto, o sistema imunológico reconhece alguns componentes da pele alterada pelo sol como “estranhos”. Assim sendo, o corpo ativa as suas defesas imunológicas contra estes componentes.

Além disso, a exposição ao sol pode agravar certas doenças de pele, como a rosácea, bom como o Lúpus eritematoso, a dermatomiosite, o herpes simples (HSV), entre outras.

Com efeito, a exposição solar cumulativa é responsável pelo envelhecimento da pele e pelo aparecimento de cancro cutâneo, reforça a Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia. Por isso, é obrigatória a proteção solar e em casos mais graves, de intolerância ao sol, pode ser recomendado evitar totalmente a exposição.

Diferença entre sensibilidade tóxica e alérgica

De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, dividimos a fotossensibilidade em dois tipos: fototóxica e fotoalérgica:

Fototóxica: resulta da liberação de energia, por agentes fotossensibilizantes, e pode provocar danos a longo prazo na pele. É mais comum e pode ser observada minutos/ horas após o contato com o agente agressor – associado aos raios solares (e.g. reações causadas pelo sumo do limão e sol). As reações são locais, ou seja, apenas na parte que foi exposta ao agente fotossensibilizante. Não há envolvimento imunológico neste caso, e pode acontecer com qualquer pessoa.

Fotoalérgica: mais rara, acontece quando uma substância química induzida pelos raios UV alteram as moléculas da pele, transformando-as em novas substâncias. As substâncias desencadeantes podem ser desde protetores solares e medicamentos (orais ou tópicos), até decorrentes, por exemplo, do contato com plantas. Isto provoca uma resposta imunológica do corpo, que ataca estas novas moléculas (diferentes) formadas. Demora mais tempo para poder ser observada, isto porque é necessário contato prévio com a substância para que ocorra esta sensibilização.

As reações costumam aparecer entre um e três dias após o contato e não se limitam ao local atingido, podendo espalhar-se pelo o resto do corpo.  Dentro da foto alergia pode existir ainda a urticária solar, uma condição frequentemente crónica. Esta resulta no aparecimento de comichão, vermelhidão e borbulhas, poucos minutos após a exposição. A erupção persiste e varia entre alguns minutos a várias horas, podendo ser acompanhada de envolvimento das mucosas e raramente de outros sintomas, como náuseas e vómitos.

Por fim e ainda pouco compreendida, porém de maior frequência, há a erupção polimórfica à luz (EPL) – considerada uma reação de hipersensibilidade retardada e com manifestação de diferentes bolhas (pápulas) nas áreas expostas ao sol.

Como tratar a alergia ao sol

Evite a exposição prolongada ao sol, use protetor solar ou vista roupa que cubra maior parte da pele (se possível com proteção solar). Esta é uma das formas de começar o tratamento. Porém, caso os sintomas persistam consulte um dermatologista, que poderá receitar emolientes (hidratantes), anti-histamínicos ou corticoides para aliviar os sintomas da alergia durante a crise – ou para serem utilizados frequentemente.

Em alguns casos, a simples suspensão do uso da substância que causa a reação (cosméticos, medicamentos, protetores solares) pode levar à melhoria do caso, mas o seu médico poderá auxiliar na identificação do que está a causar a alergia, de modo a permitir o tratamento e prevenção. Por isso é tão importante que qualquer tratamento seja feito sob orientação médica, mesmo no caso de aplicações de cremes e pomadas na pele.

Como prevenir reações cutâneas no verão

  • Evite a exposição solar prolongada;
  • Utilize sempre, antes de sair de casa, protetor solar na pele com fator de proteção 30 ou superior;
  • Aplique um batom hidratante com fator de proteção;
  • Use roupas que o protejam contra os raios solares, dando preferência a camisas de manga comprida e calças. No verão, prefira roupas de tecido natural, leve e de cores claras, e se possível, roupas que tenham fator de proteção solar;
  • Utilize boné ou chapéu, assim como óculos de sol, para proteger a cabeça e os olhos dos raios solares.
  • Evite contato, mediante indicação médica, com substâncias fotossensibilizantes – plantas, cosméticos e outros produtos, como certos medicamentos;
  • Cuidado com certas plantas. Por exemplo, carvalho venenoso, sumagre ou hera podem causar erupções cutâneas;
  • Picadas de insetos podem causar uma reação local, porém em algumas pessoas esta reação pode ser severa. Se for o seu caso, utilize repelente.

Em suma, nem todas as erupções cutâneas são consequências de alergias. As infeções são comuns no verão e podem causar erupções cutâneas não alérgicas. Em caso de dúvida, consulte um médico especialista para diagnosticar e ajudá-lo a controlar a sua condição.

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