Novas variantes do Coronavírus: porque deve preocupar-se?

Novas variantes do Coronavírus: porque deve preocupar-se?

O novo coronavírus tem vindo a sofrer mutações que podem torná-lo mais letal e mais transmissivo. Saiba mais sobre estas novas variantes

Os vírus mudam constantemente por meio de mutações, portanto é provável que novas variantes surjam com o tempo. Às vezes surgem e pouco tempo depois desaparecem, outras vezes persistem. No caso do SARS-CoV-2, o coronavírus responsável pela COVID-19, não tem sido diferente. Só para ilustrar, já foram identificadas novas variantes em diferentes países. De fato a ciência tem-se debruçado e esforçado para entender as suas características, de modo a garantir o seu controlo e proteção da população.

Sabe como surge uma nova variante?

Em primeiro lugar, quando um vírus circula amplamente numa população, causando muitas infeções, a probabilidade de mutação aumenta. Em suma, isto ocorre porque quanto mais o vírus se espalha e se replica mais oportunidades tem de sofrer mudanças.

Entenda que a maioria das mutações virais tem pouco ou nenhum impacto na capacidade do vírus de causar infeções e doenças. Aliás, como explica a Organização Mundial da Saúde (OMS), existe uma importância em relação à localização das alterações no material genético do vírus. Dependendo dessa localização, estas podem afetar as propriedades de transmissão (espalhar-se mais ou menos facilmente, por exemplo) ou gravidade (casos de maior ou menor severidade), ou ainda outras.

Algumas das novas variantes deste coronavírus parecem espalhar-se mais rapidamente do que outras variantes, o que pode levar a mais casos da doença e, consequentemente, a uma maior pressão sobre as unidades de saúde – com mais hospitalizações e probabilidade de mortes. Contudo, lembre-se de que o SARS-CoV-2 não é um vírus plenamente conhecido e o mesmo ocorre com suas mutações. Tenha em mente que existem muitos estudos a decorrer atualmente, para tentar esclarecer dúvidas sobre o vírus e a doença.

Saiba que variantes são conhecidas:

São consideradas três classificações para as variantes do SARS-CoV-2, que continuam sob monitoramento. Estas são: Variante de Interesse (VOI), Variante de Preocupação (VOC) e Variante de Alta Consequência (VOHC). É importante explicar-lhe que podem existir divergências nas classificações, uma vez que a relevância da variante está ligada ao local onde ela está a ocorrer.

Estas variantes são definidas e organizadas por diferentes órgãos, como por exemplo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Para que entenda melhor enumerámos abaixo as definições das variantes, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) em colaboração com o Grupo Interagências do SARS-COV-2 (SIG) estabelecido pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA (US-HHS):

Variante de Interesse (VOI)

Englobam-se nesse grupo, as variantes que estão associadas a características como: alterações na transmissibilidade e/ ou severidade do vírus; alterações que interferem ou podem interferir nas medidas de controlo do vírus e prevenção da COVID-19, sejam elas de diagnóstico, tratamento, vacinação ou da resposta imunológica. Assim, as características que possivelmente se observam nestas variantes são:

  • Marcadores genéticos que estão previstos para afetar a transmissão, diagnóstico, tratamento ou escape do sistema imunológico;
  • Aumento evidenciado na proporção de casos ou de grupos únicos de surtos;
  • Prevalência em alguns países;
  • Exemplos: P.2 (Rio de Janeiro/Brasil), C.16 (Portugal), B.1.526 (Nova York/EUA).

Variante de Preocupação (VOC)

Neste grupo estão incluídas as variantes em que há evidência, entre outras, das seguintes características:

  • Aumento da transmissibilidade e da severidade (internamentos e mortes) da COVID-19;
  • Problemas em testes diagnósticos;
  • Redução da eficácia dos tratamentos ou maior resistência aos mesmos;
  • Menor proteção da vacina contra casos graves;
  • Diminuição significativa da ação de anticorpos produzidos por infeção prévia ou vacinação;
  • Exemplos: B.1.1.7 (Reino Unido), P.1 (Manaus/Brasil), B.1.31 (África do Sul), B.1.427 (Califórnia).

Variante de Alta Consequência (VOHC)

Por fim, neste grupo, onde ainda não se identificou nenhuma variante, estariam agrupadas aquelas em que há uma evidência clara de menor eficácia das medidas de prevenção e das contramedidas médicas, como por exemplo:

  • Falhas demonstradas nos procedimentos diagnósticos;
  • Diminuição significativa dos efeitos dos tratamentos;
  • Redução significativa da eficácia das vacinas, bem como proteção vacinal muito baixa contra casos graves e/ ou grande aumento de casos da doença em pessoas vacinadas;
  • Aumento de internamentos e casos severos da doença.

Conheça quantas novas variantes foram identificadas em Portugal

Sabia que foram detetadas diversas variantes em Portugal? A mais comum atualmente é a linhagem B.1.1.7, associada ao Reino Unido, que segue como a variação preponderante no país. Mas existem ainda, em menor proporção, casos das variantes da África do Sul, Brasil, Espanha, Estados Unidos (Nova York), Dinamarca/ Suíça e até de uma variante que surgiu no próprio país, a C.16.

O plano de fechar fronteiras, proibir alguns voos, restringir a entrada de estrangeiros e reduzir a circulação de pessoas no país teve também como objetivo impedir a entrada de novas variantes, ao mesmo tempo que se controlava os níveis de transmissão interna.

A vacina é eficaz para todas as variantes?

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) existe a expectativa de que as vacinas atuais forneçam pelo menos alguma proteção contra as novas variantes do vírus e sejam eficazes na prevenção de casos mais graves da doença ou mesmo de morte. O raciocínio é o seguinte: as vacinas criam uma ampla resposta imunológica nos organismos, e alterações ou mutações de vírus não devem torná-las completamente ineficazes. De qualquer forma, se uma das vacinas se tornar menos eficaz contra uma variante, é possível alterar a sua composição para deixá-la mais eficiente nas próximas doses produzidas.

Como prevenir futuras novas variantes?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que interromper a propagação na fonte continua a ser a chave para impedir novas variantes. As medidas atuais para reduzir a transmissão – uso de máscaras bem ajustadas ao rosto, distância de pelo menos 2 metros entre as pessoas, lavar frequentemente as mãos com sabão ou usar álcool 70% e garantir a boa ventilação dos espaços para que haja a circulação do ar – reduzem a quantidade de transmissão viral, ajudando assim a evitar novas variantes.

Aumentar a produção de vacinas assim como distribuí-las o mais rápido e amplamente possível serão formas importantes de se proteger as pessoas, antes de serem expostas ao vírus e ao risco de novas variantes. Saiba que de acordo com a OMS à medida de que mais pessoas vão sendo vacinadas espera-se que a circulação do vírus diminua e, consequentemente, que estas medidas levem a menos mutações.

Faça a sua parte. Siga as orientações das autoridades de saúde, evite aglomerações e vacine-se assim que chegar a sua vez!

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