Covid-19 e Influenza: Semelhanças e Diferenças

Covid-19 e Influenza: Semelhanças e Diferenças

Há várias semelhanças, mas também diferenças, entre Covid-19 e Influenza. Saiba quais são e como se poderá proteger de ambas as doenças.

Há cerca de uma década estávamos a viver uma pandemia por conta do vírus H1N1, que gerou uma extensa contaminação de gripe, com expressivo número de mortes. Hoje, os esforços visam reduzir a propagação e, consequentemente, os impactos do novo coronavírus (SARS-CoV-2) no mundo.

Mas existe uma relação entre os dois vírus? Quem se protege de um também minimiza a hipótese de se infetar com o outro? A reposta é sim e não, porque as duas doenças têm diversos pontos que as tornam semelhantes, mas também outros que as diferenciam.

Ambas são doenças respiratórias

Tanto a Covid-19 como a influenza são doenças respiratórias causadas por vírus, e que podem variar desde casos assintomáticos até casos severos, com morte. Outra semelhança é a forma de transmissão, que acontece principalmente por gotículas (ao tossir, espirrar ou falar) e por contacto com outras pessoas e/ou objetos contaminados.

Já as diferenças dizem respeito ao tempo médio de incubação e à velocidade de transmissão. A gripe, também chamada de Influenza, apresenta um período de incubação mais curto e a sua transmissão é mais rápida.

Entretanto, o número de infeções secundárias da Covid-19, isto é, a quantidade de pessoas infetadas a partir de um indivíduo infetado, é maior do que na gripe. E o mesmo vale para os casos de uma infeção crítica ou severa (que necessitem de oxigénio ou ventilação). Além disso, a mortalidade pelo SARS-CoV-2 tem vindo a revelar-se mais elevada.

Por fim, o ponto crítico: a gripe já tem vacina e antivirais, ao passo que medicamentos para a Covid-19 ainda estão em fase de teste.

O que é a Gripe ou Influenza?

A gripe, ou Influenza, é a doença aguda viral que afeta predominantemente as vias respiratórias. Os seus principais tipos são o A e B. Nos vírus Influenza A destacam-se os subtipos A/H1N1 e A/H3N2.

O H1N1 (Gripe suína) tornou-se mais conhecido a partir da pandemia de 2009, quando atingiu parte da população mundial. Não era exatamente um vírus novo, pois um subtipo já havia circulado quase um século antes (em 1918 e 1919) por meio da crise de Gripe Espanhola. Posteriormente, as maiores epidemias foram de H2N2 em 1957/58 (Gripe Asiática) e de H3N2 em 1968/69 (Gripe de Hong Kong).

Hoje, a circulação do vírus H1N1 tornou-se natural, passando a ser uma gripe sazonal, comum no nosso quotidiano.

Sintomas e cuidados

Normalmente, os sintomas mais fortes da gripe têm curta duração (3 a 4 dias). É comum, portanto, que o ciclo completo da doença termine numa ou duas semanas, considerando sintomas de intensidade ligeira ou moderada, e evolução benigna.

Os principais indícios da doença são o início súbito de mal estar, dores musculares e articulares, febre alta, tosse seca e dores de cabeça.

Nas pessoas idosas e nos doentes crónicos a recuperação pode ser mais longa e o risco de complicações é maior, com possiblidade de evoluir para pneumonia, ou agravamento de doenças já existentes, como asma, diabetes, doença cardíaca, pulmonar ou renal.

A gripe não requer exames específicos, bastando um diagnóstico clínico para identificar e tratar os sintomas. Para a evitar, o melhor recurso é a vacina. Em Portugal, o pico da atividade gripal tem ocorrido entre dezembro e fevereiro, por isso a vacinação deve ser feita, preferencialmente, nos últimos meses do ano. Evitar o contacto com pessoas com a doença e lavar frequentemente as mãos também ajuda a diminuir a probabilidade de contágio.

Covid-19

Os coronavírus são vírus que podem causar infeções no ser humano, noutros mamíferos (como morcegos e camelos) e nas aves. Normalmente, essas infeções afetam o sistema respiratório, podendo ser semelhantes às constipações comuns ou evoluir para uma doença mais grave, como a pneumonia.

Dos coronavírus que infetam humanos, o SARS-CoV, o MERS-CoV e o SARS-CoV-2 saltaram a barreira das espécies, ou seja, foram transmitidos a uma pessoa a partir de um animal reservatório, ou hospedeiro desses vírus. O SARS-CoV-2, que origina a doença designada Covid-19, foi identificado pela primeira vez no final de 2019, na China.

Até ao momento há poucos dados disponíveis, mas estima-se que a taxa de mortalidade bruta média seja de 3 a 4%, bem acima da gripe. A maioria dos casos são leves ou assintomáticos; aproximadamente, 15% deles são mais graves, requerendo oxigénio; e 5% considerados de nível crítico, com a necessidade de ventiladores.

São mais frágeis à doença as pessoas idosas, com doenças crónicas ou comprometimento do sistema imunológico.

Diagnóstico e prevenção

Os sintomas variam em gravidade, desde a ausência deles até febre, tosse seca, dor de garganta, cansaço e dores musculares. Nos casos mais críticos, eles podem passar para uma pneumonia grave, síndrome respiratória aguda, septicemia, choque séptico e até possível morte.

É possível confundi-los com indícios gripais, mas a Covid-19 tem desencadeado tosses mais secas e dificuldade respiratória acentuada, sendo, portanto, mais grave. O tratamento é dirigido aos sintomas apresentados e tem como objetivo proporcionar alívio e maior conforto aos doentes.

Medidas de Higiene

A doença transmite-se de pessoa para pessoa, por contacto próximo com indivíduos infetados ou por meio do contacto com superfícies e objetos contaminados. As medidas de higiene e etiqueta respiratória, tendo como objetivo reduzir a exposição e transmissão da doença, são,  principalmente:

  • Quando espirrar ou tossir, tapar o nariz e a boca com um lenço de papel ou com o antebraço, e nunca com as mãos;
  • Lavar as mãos frequentemente.

A higienização deve ser feita durante pelo menos 20 segundos, com água e sabão, ou com solução à base de álcool 70%.

Quem tiver doenças respiratórias deve investir ao máximo na prevenção, mantendo o distanciamento social e evitando aglomerações. E ao sentir qualquer desconforto ou um dos sintomas descritos acima, deve procurar um médico.

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