Usar lixívia e detergente faz mal ao meio ambiente?
usar lixívia faz mal ao meio ambiente?

Usar lixívia e detergente faz mal ao meio ambiente?

Uma das principais regras da pandemia é a higienização constante de espaços, de objetos e das nossas mãos. Com o objetivo de eliminar o vírus e, assim, evitar possíveis contaminações, muitas pessoas têm intensificado o uso de produtos de limpeza, ampliando não apenas a quantidade usada, mas também a frequência. O problema é que este aumento também significa mais poluição ambiental e maior probabilidade de problemas de saúde, devido ao uso excessivo de substâncias químicas, como Lixívia e detergente.

O ideal é balancear a proteção contra a Covid-19 com o uso adequado destes materiais. Mas como atingir esse equilíbrio sem perder o cuidado com a higiene?

Excessos da pandemia

Em alguns países houve um aumento nos casos de intoxicação por produtos de limpeza, tais como a lixívia e o álcool, possivelmente associados à busca de proteção exagerada contra a Covid-19. Segundo o Centro de Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, as situações de intoxicação deste tipo no início de 2020 apresentaram um aumento de cerca de 20% no país, quando comparadas com o mesmo período de 2019. Taxas semelhantes (23%) foram registadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) no Brasil.

E não são apenas os indivíduos que comentem excessos na tentativa de limpar superfícies e ambientes. Na região de Zahara de los Atunes em Espanha, as autoridades locais enviaram tratores para pulverizar mais de dois quilómetros de praia e dunas com uma solução à base de água e de lixívia para combater a Covid-19. Segundo ambientalistas, a ação causou um “dano brutal” ao ecossistema local, pois a solução química não matou apenas o possível vírus, mas também insetos e outros organismos que lá habitavam e até estavam a prosperar durante o encarramento da região.

Lixívia

A lixívia comumente usada na Europa trata-se, em geral, de uma solução aquosa entre 4% a 6% de hipoclorito de sódio. É um desinfetante efetivo e forte, com atividade antimicrobiana ampla. Sem deixar resíduo, é barato e age rapidamente, removendo os microrganismos das superfícies. A incidência de toxicidade grave é baixa.

Apesar de todos os benefícios, a lixívia exige atenção principalmente no contato com a pele. Nas concentrações normalmente utilizadas em casa, pode causar problemas como irritação nos olhos, queimaduras orofaríngeas, esofágicas e gástricas. Além disso, é corrosiva aos metais quando em altas concentrações (>500ppm) e descolora tecido.

Nunca devemos usar lixívia junto com detergente, compostos com base de amoníaco ou ácidos, pois perde o efeito como desinfetante, pode causar reações químicas e pode liberar gases tóxicos, decorrentes dessas misturas.

Junto aos riscos de saúde há também o impacto ambiental, consequência do seu uso excessivo ou muito concentrado, levando à poluição do meio ambiente e afetando o equilíbrio ecológico.

Muitas vezes o problema não está apenas no despejo do produto individual, mas sim na reação química que ele pode sofrer ao entrar em contato com outras substâncias. Estas reações podem ter consequências como a liberação de compostos tóxicos que prejudicam o meio ambiente e em particular os corpos de água.

Detergentes

Os detergentes têm como principais componentes os surfactantes e fosfatos. Os surfactantes diminuem a tensão entre dois líquidos ou um líquido e um sólido, permitindo que se misturem, o que garante o poder de limpeza. Já os fosfatos garantem a eficiência em água dura (água com muitos minerais).

Aos detergentes também são adicionados conservantes, como os antioxidantes, antissépticos e fungicidas (sintéticos ou naturais), que aumentam a durabilidade do produto. Além do mais, são incluídos corantes e fragrâncias, como estratégia de atração dos consumidores.

Quando os detergentes atingem os rios, podem formar espumas que barram a entrada da luz na água dificultando a fotossíntese dos organismos, logo, a oxigenação da água. Além disso, essa espuma pode transportar microrganismos patogénicos e material oleoso para o solo e residências, contaminando esses locais.

Há também a possibilidade de o detergente acelerar o processo de eutrofização, pois o fósforo (presente em alguns detergentes) serve como alimento para as algas e é tóxico ao zooplâncton, que é um de seus predadores naturais. Desse modo, há um aumento das algas que acarreta na diminuição de oxigênio dissolvido na água e interfere no equilíbrio natural da vida aquática.

Os surfactantes presentes nos detergentes também podem: alterar a taxa de oxigenação de corpos de água (rios, lagos, etc.); interferir na proteção oleosa de penas de aves, atrapalhando sua capacidade de boiar na água e eventualmente levá-las ao seu afogamento; e ainda afetar as defesas naturais dos animais contra químicos e patógenos ou ainda as suas hormonas.

Medidas de proteção

A legislação atual tem se tornado mais rígida ao exigir o tratamento dos esgotos antes de ser despejado em rios e mares, banir algumas substâncias e incentivar a venda de produtos biodegradáveis.

Ao falar de biodegradável, consideramos as substâncias que são decompostas quimicamente por microrganismos (bactérias, por exemplo) num tempo relativamente curto (semanas a meses), gerando resíduos como água, gás carbónico e biomassa – menos prejudiciais ao meio ambiente.

Nem sempre ser biodegradável quer dizer que os componentes são totalmente decompostos em curto prazo. Muitas legislações podem aceitar que mesmo após certo tempo ainda existam resíduos no ambiente ou na água, desde que em menor proporção aos produtos convencionais.

Por isso, ao fazer as próximas compras dê preferência àqueles que são mais próximos da taxa de 100% biodegradáveis, a fim de minimizar os impactos ambientais. Procure usar adequadamente essas substâncias, seguindo as orientações do fabricante, de modo a garantir a limpeza necessária, mas sem exagero.

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