Como funciona a saúde do cérebro?

Como funciona a saúde do cérebro?

O cérebro ainda é fonte de muitos mistérios para a ciência. Mas uma coisa já sabemos! É possível treiná-lo e melhorar certas funções do dia-a-dia: como a memória 

Considera-se uma pessoa mais inclinada para a razão ou mais emocional? E se lhe dissermos que não importa a escolha, pois um mesmo órgão é responsável pelas duas facetas? Sim, o nosso cérebro é um ‘órgão multitarefas’, gestor de várias das nossas funções diárias.

Enquanto continua a ser uma fonte constante de descobertas e mistérios, uma coisa a ciência já conseguiu provar: o seu cérebro pode de ser um grande aliado na saúde e na qualidade de vida. Parece óbvio, não é? Contudo, será que tem cuidado dele como deveria?

Em primeiro lugar, o cérebro é uma massa gelatinosa, facilmente deformada ao toque – como explica a revista Nature. Apesar de ter uma aparência despretensiosa, com apenas cerca de 1,4kg (média em adultos), contém cem biliões de neurónios, ligados por triliões de sinapses.

As suas funções são diversas e essenciais. É o cérebro que controla o pensamento, a memória, as emoções, o tato, as funções motoras, a visão, a respiração, a temperatura, a fome e todos os processos que regulam nosso corpo. Juntos, o cérebro e a medula espinhal, que se estende a partir deste, constituem o Sistema Nervoso Central (SNC).

O cérebro envia e recebe sinais químicos e elétricos por todo o corpo. Diferentes sinais controlam diferentes processos e o seu cérebro interpreta cada um. Ou seja, alguns fazem sentir-se cansado, por exemplo, enquanto outros fazem com que sinta dor, raiva, stress ou felicidade. Há um turbilhão de sensações na sua mente.

Como funciona a memória?

Segundo o Instituto do Cérebro da Universidade de Queensland (Austrália), a memória é a reativação de um grupo específico de neurónios, formado a partir de mudanças persistentes na força das conexões – sinapses – entre os neurónios. Essas ligações podem ser mais fortes ou mais fracas, dependendo de quando e com que frequência foram ativadas no passado. Por outras palavras, conexões ativas tendem a ficar mais fortes, enquanto aquelas que não são usadas ficam mais fracas e podem, eventualmente, desaparecer completamente.

É por isso que quando usamos uma informação com frequência dizemos que a decoramos, que sabemos de cor. Já quando nos deparamos com uma informação apenas uma vez é mais difícil lembrarmo-nos passado um certo tempo. Esta escolha sobre o que deixar ativo e o que remover é fundamental para a formação da memória.

Mas também há evidências de que outro tipo de plasticidade, não envolvendo diretamente as sinapses, pode ser importante para a formação da memória – complementa a universidade australiana. Em algumas partes do cérebro de um adulto, como a importante estrutura de memória (hipocampo), novos neurónios podem ser criados num processo chamado neurogénese.

Treine o seu cérebro!

Praticar uma atividade nova e desafiadora é uma boa aposta para construir e manter habilidades cognitivas. O seu cérebro tem a capacidade de aprender e a crescer com a idade – um processo chamado plasticidade cerebral – mas para isso, é necessário treiná-lo regularmente.

Segundo a Escola de Medicina de Harvard, o exercício físico regular é uma forma de melhorar as funções cognitivas, como a recuperação da memória, resolução de problemas, concentração e atenção aos detalhes. E não é somente o desporto que traz esses benefícios. Atividades como pintar e/ ou outras formas de arte, como escrever, aprender a tocar um instrumento ou um novo idioma são várias formas que podem levar a uma melhor função cognitiva.

Depois de exercitar o corpo e/ ou a mente é imprescindível descansar. De acordo com o Instituto do Cérebro da Universidade de Queensland (Austrália), durante o sono o hipocampo e o neocórtex participam num ‘diálogo’ cuidadosamente coreografado, no qual o hipocampo repete eventos recentes: os mesmos neurónios do hipocampo, ativos durante uma experiência, tornam-se ativados novamente durante o sono de ondas lentas. Toda esta atividade faz com que o cérebro trabalhe enquanto dormimos, inclusive com momentos de grande atividade cerebral.

Quais os alimentos bons para o cérebro?

Garantidas as dicas acima, passemos para outra parte importantíssima: a comida.
O bom desenvolvimento do cérebro depende de muitos fatores e alguns deles começam desde a gravidez, com a alimentação. Uma dieta saudável e os nutrientes certos, com ácido fólico (também conhecido por vitamina B9 ou folato), possibilitarão um sistema nervoso saudável no bebé em crescimento.

Assim como não existe uma solução mágica para prevenir o declínio cognitivo, nenhum alimento pode garantir um cérebro aguçado à medida que envelhecemos. Os nutricionistas enfatizam que a estratégia mais importante é seguir um padrão alimentar saudável que inclua muita fruta, vegetais, legumes e grãos inteiros.

Verduras, como espinafre, brócolos e couves, alguns tipos de peixe, chá, café, frutos silvestres, como mirtilos e morangos, e nozes também são benéficos para o cérebro.

Em contrapartida, uma dieta com gorduras em excesso pode afetar o hipocampo, levando a um défice de memória.

E como mantê-lo saudável?

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) listou algumas etapas para seguir, na procura de um corpo e cérebro saudáveis:

  • Pare de fumar: deixar o cigarro reduz o risco de doenças cardíacas, cancro, doenças pulmonares, entre outras;
  • Se consome bebidas alcoólicas, faça-o com moderação;
  • Previna e controle a hipertensão, assim como o colesterol;
  • Gira o açúcar no sangue;
  • Mantenha um peso adequado, considerando uma alimentação saudável e atividade física regular;
  • Durma o suficiente;
  • Permaneça focado: encontre hobbies e motivações para manter-se ativo.

O cérebro é uma das nossas principais ‘máquinas’, mas não está imune a uma vida stressante e descuidada. Procure hábitos mais saudáveis, um estilo de vida que lhe faça sentido e respeite os sinais do seu corpo. Quando ele nos dá alerta de esgotamento, é um sinal de que é necessária uma mudança ou alterações.

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