Planeta que aquece, ilhas que submergem

Ilhas que se estão a afundar… Refugiados climáticos cujo número aumenta neste século XXI. A temperatura sobe no Planeta. Ainda é possível apostar na prevenção?

Devido às alterações climáticas, há estados e territórios insulares em risco de desaparecer do mapa! De facto, o avanço do mar poderá literalmente afundar, até 2050, mil e quinhentas ilhas em todo o mundo.

É nos oceanos Índico e Pacífico que se concentra a maioria das ilhas em perigo, já que a subida do nível das águas nestas regiões é muito maior do que no resto do globo.
Assinalou-se, em 2014, o “Ano Internacional” dos Pequenos Estados Insulares das Nações Unidas – no original  “Small Island Developing States (SIDS), que engloba os países-ilha mais frágeis perante a ameaça da subida do nível das águas.
O “Ano” celebrou o contributo que este grupo de nações tem trazido ao mundo, albergando vivências distintas, na sua diversidade e legado cultural.

Sendo os mais vulneráveis ao avanço dos mares, erosão costeira e aos fenómenos meteorológicos extremos (ciclones, terramotos e tsunamis) cerca de 40 destes países podem estar de facto em risco de extinção…
Por isso, os seus habitantes estão determinados a enfrentar o grande desafio e trabalhar com todos os países na procura de soluções que assegurem um futuro melhor para as gerações vindouras, construindo alianças para o desenvolvimento sustentável.

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A temperatura diária em Portugal pode subir 5 a 8 graus até 2100, alerta a Quercus, com base no último relatório do IPCC.

Sobre este desafio crescente a nível global, a Quercus refere-se ao último Relatório de Avaliação do IPCC – Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas, divulgado este mês em Copenhaga e que culmina cinco anos de trabalho científico e a síntese dos três relatórios temáticos lançados nos últimos 12 meses.

O documento reforça que “a influência humana sobre o sistema climático é clara” e que são igualmente claros os alertas do IPCC sobre a prioridade que tem de ser dada às alterações climáticas, para garantir que o aumento da temperatura do planeta fique abaixo do limiar dos 2ºC.
Segundo os cientistas, “o aquecimento global é inequívoco, e desde a década de 1950 muitas das alterações observadas não têm precedentes nos últimos milénios”. “Cada uma das últimas três décadas foi sucessivamente a mais quente desde 1850 e a temperatura média na superfície da Terra e dos oceanos aumentou 0,85ºC entre 1880 e 2012.”
Para o IPCC, é “extremamente provável” que esta subida da temperatura fique a dever-se à ação humana sobre o planeta, sobretudo através das emissões de gases de efeito de estufa (GEE), cuja concentração na atmosfera tem alcançado níveis cada vez mais elevados.
Para tentar manter a subida da temperatura abaixo dos 2ºC a custos aceitáveis, será necessário diminuir globalmente as emissões de GEE entre 40 a 70% até 2050, e eliminá-las totalmente até 2100, defendem os cientistas. “Existe o mito de que a ação climática vai custar-nos muito, mas a inação vai custar-nos ainda mais”, alerta o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon.

POVOS QUE SE MOVEM AO “RITMO” DAS MARÉS!

As consequências das alterações climáticas atingem os povos e comunidades de todo o mudo, mas os mais afetados serão também os que já têm menores recursos para a adaptação necessária.
Em várias regiões do mundo já se está a assistir a comunidades que têm de abandonar as suas casas e aldeias por causa da subida do nível do mar ou por secas extremas que deixam as terras improdutivas. O número de refugiados climáticos irá aumentar durante este séc. XXI, pois há consequências das alterações climáticas que já não podem ser evitadas. Mas para evitar resultados mais drásticos é necessário apostar na prevenção, reduzindo as emissões de gases de efeito de estufa, o principal dos quais é o dióxido de carbono.
Se os governos têm de aprovar um acordo internacional para trabalharem em conjunto, é também necessário que cada um de nós faça escolhas no dia-a-dia para tornar as nossas opções mais sustentáveis do ponto de vista ambiental.

O que podemos fazer?
Para o cidadão comum, As áreas fundamentais de atuação passam por gestos simples no dia-a-dia, tais como, por exemplo, anular os desperdícios do consumo de energia em casa; optar pelos transportes coletivos para ir para o trabalho; e, no supermercado, preferir alimentos e bens com menor pegada ecológica.
Mais informações em www.ecocasa.pt

Agradecimentos:
Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza
e Dra. Ana Rita Antunes