Humidade na casa de praia: Como resolver?

Humidade na casa de praia: Como resolver?

Fechadas durante o inverno, as casas de verão costumam acumular mofo, devido à humidade excessiva. Veja algumas formas de evitar esse transtorno.

As casas de praia são um sonho, muitas vezes realizado por muitas famílias. Refúgios dos centros urbanos, representam um ambiente de descanso e diversão, aproveitando tudo o que o verão tem para oferecer.

Mas… e durante o inverno? Mantê-las fechadas será o suficiente para garantir a sua preservação para o ano seguinte?

Maior humidade = mais microrganismos…

Na verdade, o tempo em que estão fechadas pode ser muito prejudicial para a estrutura do imóvel e também para a saúde dos visitantes.

Níveis muito altos de humidade estão relacionados com o aumento do crescimento de microrganismos, como fungos (mofos e bolores) e ácaros da poeira, que representam grande fonte de incómodo para pessoas alérgicas ou com alguma doença respiratória.

Para reduzir o crescimento de mofos, a EPA (Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos) recomenda que a humidade relativa interna esteja sempre abaixo de 60%, isto é, idealmente entre 30 a 50%. A orientação é para que os ambientes em que vivemos nunca fiquem muito secos ou muito húmidos, preservando o bom funcionamento do nosso organismo.

A manutenção da casa de praia

Regra geral as construções junto à praia tendem a danificar-se mais rapidamente do que as construções fora da costa. Isto porque as regiões costeiras costumam sofrer com ventos mais rápidos, chuvas e tempestades, salinidade, altas temperaturas e humidade do ar constantemente elevada.

Portanto, é necessário considerar uma maior resistência da estrutura a essas intempéries, às ações do tempo e, ainda, prever reparos constantes. De facto, as casas de praia exigem mais recursos, desde o planeamento e construção até à sua manutenção.

“Dicas” para controlar a humidade na casa

Além da maior humidade do ar nos ambientes costeiros, as casas de férias podem também sofrer com o acumular de humidade no seu interior, ou seja, por fontes internas de humidade. Como costumam permanecer fechadas por longos períodos, estão mais sujeitas a problemas e à falta de ventilação, do que resulta um maior aumento de humidade nas suas dependências.

Algumas medidas podem ser tomadas para se prevenir a alta humidade e a consequente proliferação de microrganismos como mofos e ácaros, entre outros. A primeira é identificar e consertar infiltrações e vazamentos, independentemente de onde se localizarem – banheiras, torneiras, paredes, telhados, etc. Depois, será bom que se tente manter uma boa ventilação do ambiente, inclusive, mesmo, com uma entrada de ar fresco na casa. Essa circulação do ar pode ser feita deixando abertas as portas das várias dependências da casa e mudando móveis de lugar, para que não fiquem nos cantos. Nalguns casos, ventiladores e exaustores também ajudam à circulação do ar e remoção/redução da humidade, sobretudo em cozinhas e casas de banho.

Especialmente em climas quentes e húmidos, desumidificadores e condicionadores de ar serão outros aliados no combate à humidade alta, mas convém estar atento para que os próprios aparelhos não se tornem fontes de poluentes biológicos (fungos e bactérias).

Por fim, o uso de carpetes pode ser mais um fator para a absorção de humidade na casa e fonte de microrganismos, como ácaros. Assim, deve dar-se preferência a tapetes ou carpetes que possam ser retirados para lavagem e manutenção.

Saúde & materiais de construção

Existe uma relação entre a humidade em ambientes internos e efeitos adversos, tanto para a saúde humana quanto para as construções (estrutura física, estruturas mecânicas, etc).

Quando expostos por muito tempo a altos índices de humidade os materiais de construção podem ser colonizados por fungos e outros organismos, sofrer reações químicas, apodrecer (madeira, por exemplo) e, de modo geral, serem danificados. Deste modo, gastos inesperados virão a ser uma realidade.

Já quanto à saúde humana, sabe-se que há uma associação entre ambientes internos húmidos e a ocorrência de sintomas nasais e na garganta, tosse, e ainda crises asmáticas, no caso de pessoas sensibilizadas por asma. Para os indivíduos alérgicos, com problemas respiratórios ou até mesmo com a imunidade comprometida, a exposição à humidade e microrganismos associados pode ser ainda mais adversa.   

Ao fechar a casa de verão…

Antes de fechar a casa de praia por um longo período é importante prepará-la adequadamente, tomando cuidados tanto no seu interior como no exterior, para a manter limpa e sem problemas.

Limpeza. Num ambiente quente e húmido, mofo e bactérias podem “atacar” os materiais orgânicos, como madeiras, algodão, lã, couro e outros tecidos (sobretudo quando sujos), levando a que se deteriorem e exalem maus odores. Por isso é essencial realizar uma limpeza meticulosa antes de sair da casa, retirando entulhos e outras sujidades externas e internas, bem como todas as partículas de alimentos.

A lavagem de roupas de cama e banho com a posterior armazenagem em sacos a vácuo pode ajudar a evitar a proliferação de ácaros e outros microrganismos.

Metais. E nem os metais são poupados. A corrosão e a ferrugem podem surgir com o menor arranhão (causado pela areia, por exemplo) no esmalte de uma máquina de lavar ou frigorífico, que irá expor o metal à humidade e ao oxigénio do ar. Para controlar a ferrugem o melhor é livrar-se dela logo que apareça. Além disso, o uso de capas protetoras para os equipamentos (sempre que não estiverem em uso) pode ajudar a protegê-los.

Manutenções: As manutenções também devem estender-se a telhados, calhas e paredes, para evitar a entrada da água das chuvas, tendo a precaução de que a água escoe sempre para longe da casa. Além disso, as janelas e portas devem ser vedadas contra intempéries para evitar a entrada de humidade.

Cuidados especiais. No entanto, além das fontes externas o ambiente interno também pode ser fonte de humidade através de ralos de banheiras e chuveiros, ou de sanitas, entre outros. Assim, devem fechar-se os registos da água, tapar os ralos e, se possível, selar as suas aberturas. Isso ajuda a evitar tanto a entrada de pragas e o cheiro do esgoto, como também os vazamentos e a possível evaporação da água residual dos ralos. Dependendo da situação, o uso periódico de ar-condicionado ou desumificadores com drenagem externa podem auxiliar no controle da humidade.

Desconectar todos os aparelhos eletrónicos que não estão em uso ajuda a prevenir tanto prejuízos e acidentes elétricos, como a economizar energia.

Por último, não se deve esperar até à última hora quando for altura de “fechar” a casa. Crie uma checklist do que precisa fazer para se preparar, das manutenções para serviços profissionais (se for o caso), aos produtos necessários.

Sair de uma casa bem tratada e devidamente protegida proporcionará a tranquilidade de saber que o seu regresso será ainda mais prazeroso.

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