Gestos verdes também nas compras diárias

Tarefas do dia-a-dia, como a simples ida ao supermercado, podem ser repensadas em itens aparentemente inofensivos como… os sacos onde transportar as compras.

Quatrocentos e sessenta e seis por ano é o número médio de utilização de sacos de plástico para cada português!
A Comissão Europeia já se pronunciou, bem como a Deco, a Quercus e mesmo a classe política nacional. E surgem várias medidas para a redução da utilização destes sacos, designadamente os mais leves, que geralmente são utilizados apenas uma vez e deitados fora… – mas que, não obstante a sua leveza, podem permanecer no ambiente por várias centenas de anos!

Desde há algum tempo, algumas superfícies comerciais cobram cerca de 2 cêntimos por cada saco. Uma medida que fez com que os clientes daqueles espaços se tenham habituado a levar consigo sacos de plástico, para evitar o desperdício de dinheiro, já que habitualmente temos tantos sacos em casa que não faz sentido acumular o que, mais dia menos dia será deitado fora!
E isto é um exemplo de como, para poupar alguns cêntimos, se cria uma “regra verde”, que acaba por se estender a outras lojas, onde amiúde já recusamos que nos dividam as compras por 3 ou 4 sacos, quando podemos afinal guardá-las em apenas um ou dois…

A recente iniciativa de um partido político no sentido de limitar o fornecimento dos sacos no ato da compra no comércio a retalho mereceu a aprovação da DECO, que considera que a proposta de um Projeto Lei que vise proibir sacos plásticos gratuitos no comércio é uma “boa ideia” e uma medida “positiva e benéfica para os consumidores e para o ambiente”.
Segundo o secretário-geral desta associação, Jorge Morgado, há “uma utilização excessiva do saco de plástico na sociedade portuguesa”, sendo necessário “alterar comportamentos”.

Descontos nas compras, ou cobrança de um valor pelos sacos…
A ideia é impor ao comércio o que o diploma chama de “sistema de desconto mínimo” sobre as mercadorias vendidas, “de valor não inferior a cinco cêntimos por cada cinco euros de compras, com IVA incluído, sempre que o consumidor  prescinda totalmente dos sacos de plástico” fornecidos gratuitamente  pelo comerciante.

Para quem já cobra por esses sacos, como fazem algumas grandes superfícies, o projeto de diploma passa a exigir que essa cobrança tenha um “valor simbólico”, que não pode ser inferior a um cêntimo por saco, tratando-se de sacos oxibiodegradáveis, ou dois cêntimos se o saco for não biodegradável.
“É um sistema inovador por ser feito pela positiva – poupança simbólica – e por não penalizar o consumidor”, destaca Jorge Morgado, defendendo que a nova medida também não vai prejudicar o comércio, pois este paga pelos sacos que oferece aos clientes.

A Deco defende ainda que deveria acabar “o mito dos biodegradáveis”, lembrando que os ambientalistas, nomeadamente da Quercus, já têm alertado para o facto de estes sacos não serem efetivamente amigos do ambiente.

4 anos para a mudança…
Na sequência do referido Projeto Lei, a Associação Nacional de Conservação da Natureza enviou ao ministro do Ambiente uma proposta para definir regras que reduzam, de forma gradual durante 4 anos, a distribuição gratuita de sacos de plástico, não só nos supermercados, mas também noutros estabelecimentos comerciais, ao mesmo tempo que se defende o recurso aos sacos reutilizáveis.

Esta proposta da Quercus sugere que os hipermercados devem diminuir gradualmente o número de caixas a oferecer sacos de plástico, com 25% no primeiro ano, 50% no segundo e 75% no terceiro, para chegar à totalidade no quarto ano. E que nas restantes lojas se estabeleça o mesmo prazo de quatro anos para a proibição da oferta de sacos, tudo isto acompanhado com campanhas de sensibilização dirigidas aos comerciantes e aos consumidores.

8 mil milhões de sacos de plástico, para o lixo…
O consumo de sacos em plástico descartável tem vindo a crescer e os portugueses utilizam muito mais sacos do que a média europeia. Enquanto em Portugal se estima que sejam utilizados 466 sacos por habitante, cada cidadão europeu consome, em média, 198 sacos de plástico por ano.
O Parlamento Europeu, que está a legislar sobre o assunto (através de um diploma com publicação prevista para 2015), apelou a que a União Europeia definisse medidas que reduzam os resíduos de plástico no ambiente, já que, dos cerca de 100 mil milhões de sacos de plástico oferecidos anualmente pelas lojas e hipermercados da Europa, oito mil milhões vão poluir rios e ruas ou acabam dispersos na paisagem natural, “provocando elevados danos materiais”. 

Segundo a Comissão Europeia, numa proposta que obriga os Estados-Membros a reduzirem a utilização de sacos de plástico leves, cada país pode escolher as medidas que considere mais adequadas, incluindo a aplicação de taxas, o estabelecimento de metas nacionais de redução ou uma proibição, sob certas condições… Isto porque os sacos de plástico leves são muitas vezes utilizados apenas uma vez, mas podem permanecer no ambiente durante centenas de anos, muitas vezes sob a forma de partículas microscópicas nocivas e perigosas, sobretudo para a vida marinha.

O FUTURO, NOS SACOS REUTILIZÁVEIS…

Segundo artigo agora publicado pelo “Hipersuper”, são utilizados atualmente mais de 500 biliões de sacos de plástico em todo o Mundo. E tendo em conta que cada um pode levar 1.000 anos a decompor-se, estes sacos descartáveis são uma preocupação para os cidadãos, as empresas e os governos.

Em entrevista ao “Hipersuper”, Alberto Araújo, general manager da MA Creative Production Group, proprietária da marca de sacos ‘verdes’ Concept Bags, sublinha que “uma das principais alternativas à utilização do plástico têm sido os sacos reutilizáveis que, mais ecológicos e amigos do ambiente, podem durar entre três a cinco anos”, sendo que um saco de longa duração pode substituir até 1.000 sacos de plástico descartáveis.
E o especialista acrescenta:
“Nos casos em que os retalhistas colocam à disposição dos seus clientes os sacos reutilizáveis há uma redução de 30% no consumo de sacos de utilização única”. Em Portugal, em 2012, as vendas de sacos reutilizáveis por parte dos associados da APED (Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição) aumentou 7% face ao ano anterior.

“Verdes”, Resistentes, e não só…
Ainda segundo a matéria do “Hipersuper”, além de “verdes” estes sacos são resistentes e mais versáteis, podendo ser utilizados de diferentes formas para diversos fins na rotina diária.
E, sublinha Alberto Araújo, uma das grandes vantagens dos sacos reutilizáveis é o seu grande potencial para a comunicação ‘bellow-the line’. Explica: “As marcas têm à disposição um suporte próprio, que pode ser completamente personalizado e onde podem desenvolver uma campanha de forma exclusiva e ecológica. Além disso, em termos de resultados, através de um suporte físico e útil, as marcas conseguem efeitos virais, já que o saco será um ‘outdoor’ ambulante sem limitações no campo de ação”. 

PORTUGAL À FRENTE, NO CONSUMO…

São utilizados mais de 500 biliões de sacos de plástico em todo o Mundo.
Na Europa, os dados relativos à utilização anual de sacos de plástico leves são extremamente variáveis…
De facto, a partir da média de 198 unidades para cada cidadão europeu, as estimativas apontam para:
– 4 sacos na Dinamarca e na Finlândia;
– 466 sacos na Polónia, Eslováquia e…Portugal!

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Vamos lembrar-nos destes números sempre que formos às compras?

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