Depressão e Saúde Mental em tempos de Pandemia

Depressão e Saúde Mental em tempos de Pandemia

Conheça alguns dos sintomas mais comuns ligados à depressão e saiba como a pandemia da COVID-19 pode estar relacionada com o transtorno mental

A depressão afeta mais de 264 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Este transtorno mental é caracterizado pela tristeza persistente e falta de interesse ou prazer em realizar diferentes tipos de atividades, antes consideradas recompensadoras e prazerosas.

Quem sofre da doença costuma ter problemas de sono e apetite, além de uma sensação de cansaço permanente. Entretanto a tristeza pode atingir qualquer pessoa, em momentos mais difíceis da vida, mas a diferença entre a depressão e a tristeza pontual está justamente na sua duração.

Sobretudo dificuldades financeiras, morte de amigos ou familiares e até fim de relacionamentos são acontecimentos que deixam a maioria das pessoas tristes. Todavia, cada pessoa encontra a sua forma de superação e de seguir em frente.

No caso da depressão, os sintomas não cessam. Há uma tristeza constante, dias e dias seguidos mesmo sem uma causa aparente. Acaba por ser difícil encontrar distrações, a pessoa perde a vontade de fazer algo que antes lhe dava satisfação e não vê uma forma de reverter esta situação. Simultaneamente, para quem está de fora, pode parecer difícil compreender mas a doença costuma ser realmente incapacitante.

Causas e diagnóstico

As causas da depressão incluem interações complexas entre fatores sociais, psicológicos e biológicos, ou seja, é muito difícil prever quem um dia poderá desenvolvê-la. Sabe-se que alguns tipos do transtorno podem ser hereditários, mas a depressão também pode atingir pessoas sem histórico familiar. E não há grupo imune: crianças, adolescentes, adultos e idosos têm chance de sofrer da doença.

Além disso, é importante esclarecer que nem todos com transtornos depressivos apresentam os mesmos sintomas. A gravidade, frequência e duração variam dependendo do indivíduo e de sua condição específica.

Se você anda desanimado, sem vontade para cumprir a rotina do dia a dia e não vê perspectivas de melhora, procure assistência médica. O diagnóstico precoce é o melhor caminho para retomar a estabilidade emocional e organizar sua vida novamente.

A Depressão tem cura?

A depressão exige acompanhamento médico contínuo, para se manter controlada. Quadros leves costumam responder bem ao tratamento psicoterapêutico. Nos outros, mais graves e com reflexo negativo sobre a vida do doente, a indicação costuma ser o uso de antidepressivos com o objetivo de tirar a pessoa da crise. Em ambos os casos a atividade física, associada à terapia e/ ou medicamentos, foi considerada como um recurso importante no processo de reversão da depressão.

Apesar de ao longo dos anos se ter rompido diversos preconceitos, ainda há dificuldades em lidar com a depressão, especialmente em países onde o rendimento é médio ou baixo. Em suma, das pessoas que sofrem de transtornos mentais nestes países estima-se que 76% a 85% não tenha acesso ao tratamento de que precisa, uma vez que os serviços de apoio não existem ou são pouco desenvolvidos.

De modo geral, além de existir um estigma social elevado (associando de forma errada a depressão à loucura, preguiça e irresponsabilidade), faltam ainda profissionais treinados e outros recursos.

As consequências da pandemia da COVID-19

Em janeiro de 2021, Portugal divulgou os resultados do estudo “Saúde Mental em Tempos de Pandemia (SM-COVID19)”, que avaliou o impacto da pandemia da COVID-19 na saúde mental e bem-estar da população em geral e dos profissionais de saúde. Cerca de 25% dos participantes da pesquisa apresentaram sintomas moderados a graves de ansiedade, depressão e stresse pós-traumático.

Na população em geral, foram sobretudo os jovens adultos e as mulheres que apresentaram sintomas de ansiedade e de depressão moderada a grave. Já entre os profissionais de saúde, os mais afetados com ansiedade moderada a grave foram aqueles que estiveram a tratar doentes com COVID-19 (42%), sendo que é ainda neste grupo de indivíduos que os níveis de burnout (exaustão física e emocional) foram mais elevados (43%).

Cuide da sua saúde mental

A pandemia da COVID-19 teve um grande efeito na sociedade. Muitos enfrentaram desafios stressantes, opressores e intensos – tanto adultos como crianças. Sabemos que as ações de saúde pública, como o distanciamento social, são essenciais para reduzir a disseminação da doença, mas é notável que também têm impacto na sensação de solidão, bem como nos níveis de stress e a ansiedade.

No entanto, é possível aprender a lidar com estes sentimos de maneira saudável!
O Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) indica algumas dicas para cuidar da saúde mental durante a pandemia:

  1. Limite o tempo para ver, ler ou ouvir notícias, incluindo aquelas nas Redes Sociais. É bom estar informado, mas receber informações sobre a pandemia constantemente pode ser perturbador;
  2. Tente ter uma alimentação saudável e equilibrada;
  3. Durma o suficiente;
  4. Evite o uso excessivo de álcool, tabaco e outras substâncias que possam ser nocivas para o seu organismo;
  5. Continue com os exames e tratamentos de rotina, conforme recomendado pelo seu médico;
  6. Seja vacinado com uma vacina contra a COVID-19, assim que possível;
  7. Dedique tempo para relaxar. Tente fazer outras atividades de que goste;
  8. Converse com pessoas em quem confia, sobretudo amigos e familiares, sobre as suas preocupações e sobre o seu estado de espírito – isto pode ajudar para que ambos os lados controlem seu stresse;
  9. Ligue-se à sua comunidade. Enquanto as medidas de distanciamento social estão em vigor, opte pela modalidade online, através das Redes Sociais, assim como por telefone ou até correio.

Mantenha todos os cuidados necessários, seguindo as orientações dos órgãos de saúde, e acredite que dias melhores estão por vir. Este é um pensamento motivador para a sociedade em geral e que pode igualmente ajudar a tristeza a ficar longe.

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