Conjuntivite Alérgica: Como surge e qual o melhor tratamento
Conjuntivite Alérgica Como surge e qual o melhor tratamento Há diversos tipos de conjuntivite e diversas causas para o seu aparecimento. Conheça uns e outras… e previna-se!

Conjuntivite Alérgica: Como surge e qual o melhor tratamento

Há diversos tipos de conjuntivite e diversas causas para o seu aparecimento. Conheça uns e outras… e previna-se!

Ao longo dos anos tem sido registado, a nível mundial, um aumento no número de pessoas que sofrem de alergias e, inclusive, de doenças oculares alérgicas. As alterações climáticas globais também podem influenciar os padrões atuais de dispersão de pólenes, e afetar deste modo aqueles que têm essa substância como gatilho para a sua alergia, seja ela uma rinite, asma, ou mesmo uma conjuntivite alérgica. 

Mas o que é a conjuntivite?

Antes de sabermos o que é a conjuntivite é necessário conhecer a conjuntiva, ou seja, a estrutura responsável por proteger os nossos olhos da possível exposição a agentes estranhos, como microrganismos (bactérias e vírus), alérgenos, fumo, vento, sol, e mesmo de uma lente de contacto usada durante muito tempo. 

Para cumprir a sua missão, essa fina membrana mucosa e transparente reveste o interior das pálpebras e a parte branca dos olhos (a esclera). E logo que haja contacto entre um agente estranho e a conjuntiva, será desencadeada uma inflamação chamada de conjuntivite. 

O tipo de conjuntivite será definido de acordo com o agente envolvido: alérgenos para a Conjuntivite alérgica; vírus para a Conjuntivite viral; bactérias para a Conjuntivite bacteriana; ou outras substâncias como fumo, vento ou químicos para a Conjuntivite irritante.

De modo geral, nesse processo inflamatório os olhos poderão ficar avermelhados, lacrimejantes e com secreção/crosta nas pálpebras e cílios. Pode também apresentar-se comichão, ardor ou sensação de areia nos olhos, além de fotofobia (incómodo com a luz) e inchaço das pálpebras.

Saber um pouco mais sobre cada tipo de Conjuntivite

Conjuntivite alérgica – Tal como outras alergias, a conjuntivite alérgica não é contagiosa, já que a origem da inflamação são alérgenos, a exemplo de pólenes, fungos (como o mofo), ácaros do pó, alérgenos de animais domésticos, ou ainda medicamentos e cosméticos. 

Como está associada à presença de alérgenos, este tipo de conjuntivite pode estar presente, no caso de alérgenos internos (como ácaros e animais) ao longo de todo ano. E também pode ter maior concentração em certas épocas do ano (quando se trata de alergia ao pólen, por exemplo), sendo tratada, nesse caso, como Conjuntivite Alérgica Sazonal.

Em contraste com as demais conjuntivites, a conjuntivite alérgica pode perdurar por mais tempo (até duas semanas) e geralmente atinge os dois olhos ao mesmo tempo, com comichão mais intensa e, eventualmente, com a conjuntiva inchada e arroxeada. Também estão presentes outros sintomas comuns para uma reação alérgica – coriza, espirros, comichão no nariz e garganta inflamada.

Conjuntivite tóxica ou química – Não contagiosa, refere-se à irritação que se dá pelo contacto com substâncias irritantes, tais como fumos, poeira, poluição do ar, produtos químicos ou cosméticos, sabão, entre outros. O uso prolongado de lentes de contato ou a falta da devida higienização também podem levar a este tipo de conjuntivite. 

Conjuntivites infecciosas

  • Conjuntivite viral: contraída através da exposição a diferentes tipos de vírus (sendo o adenovírus o principal), é a mais comum de todas devido ao seu grande potencial de contaminação. Prolonga-se geralmente por uma semana e tem início em apenas um dos olhos, podendo contaminar o outro, além de prejudicar a acuidade visual (capacidade da visão). Os seus sintomas são semelhantes aos das demais conjuntivites, exceto pelo eventual aparecimento de uma secreção esbranquiçada (semelhante a uma membrana). Segundo estudos também pode ocorrer em simultâneo com doenças respiratórias, como constipações, gripes, e até o COVID-19 (considerado um dos seus sintomas).
  • Conjuntivite bacteriana: tem como agentes causadores alguns tipos de bactérias e é bem menos frequente que as restantes, o que não a impede de ser contagiosa. Surge em maior grau nas crianças e ao longo do inverno e da primavera. Dura até três semanas e pode afetar ambos os olhos. Os seus sintomas específicos estão associados a uma grande secreção purulenta (pus) amarelada ou esverdeada, o que ocasionalmente faz com que as pálpebras fiquem coladas.  

Transmissão

Somente nas conjuntivites infecciosas, isto é, bacterianas e virais, é que haverá uma forma de transmissão, uma vez que são contagiosas. Deste modo, a transmissão dos agentes infecciosos para os olhos será através do contacto com mãos contaminadas (cumprimentos de mão), pelo ar (espirros e tosses) ou pelo contacto com objetos contaminados, quando se toca nos olhos após manusear um objeto sem a devida higienização das mãos.

Prevenção

Assim, a melhor forma de evitar as conjuntivites infecciosas é higienizar as mãos com frequência, utilizando água e sabão ou álcool em gel (pelo menos com 60%), especialmente após entrar em contacto com o olho, mão ou objeto infetado. Também é importante evitar aglomerações, piscinas e o compartilhar de objetos, como toalhas, roupas de cama, óculos, maquilhagem, colírios e entre outros itens de uso pessoal.

Após a cura é aconselhável descartar itens utilizados durante a doença e que possam causar uma retransmissão, como lentes de contacto, utensílios de maquilhagem, etc.

Alguns cuidados para as conjuntivites não infecciosas são compartilhados com as conjuntivites infecciosas, como por exemplo:

– Evitar tocar ou coçar os olhos, porque isso além de piorar a situação pode ainda contaminar o outro olho com um vírus/bactéria; 

– Higienizar lentes de contacto de acordo com as instruções do oftalmologista e suspender o seu uso durante a inflamação;

Especificadamente para os casos de conjuntivite alérgica, é fundamental identificar e remover dos ambientes os alérgenos responsáveis pela reação alérgica. Esta medida pode exigir o apoio médico para a aplicação de testes de alergia ou na prescrição de antialérgicos.

Quanto à remoção dos alérgenos do ambiente pode ser feita através da limpeza com aspiradores especiais (com filtro HEPA) e o uso de purificadores de ar, entre outras medidas. 

Tratamento

No que diz respeito ao tratamento direto da doença, independentemente da origem, as conjuntivites podem ter os sintomas amenizados com a aplicação de compressas nos olhos com água filtrada ou soro fisiológico, ambos geladas. O uso de colírios de lágrimas artificiais também pode ajudar tanto com os sintomas como na prevenção, pois olhos pouco lubrificados são sinónimos para vulnerabilidade. Conforme os casos, um oftalmologista poderá prescrever alguns colírios específicos, a exemplo de colírios antibióticos para conjuntivites bacterinas.

É de facto muito importante que, independentemente da causa, quem tiver dúvidas sobre os sintomas de uma conjuntivite consulte um especialista, antes de fazer qualquer procedimento ou recorrer a um medicamento! 

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E importa referir que a Conjuntivite Alérgica costuma atingir pessoas que já têm alguma alergia. Se for o seu caso tenha em atenção as condições dos ambientes fechados nos quais passa mais tempo, seja a casa ou o escritório. É essencial mantê-los limpos e arejados para amenizar a possibilidade de reações alérgicas decorrentes do pó, ou mofo. 

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