Rinite Vasomotora e Rinite Alérgica: Quais as principais diferenças?

Rinite Vasomotora e Rinite Alérgica: Quais as principais diferenças?

A Rinite é uma inflamação da mucosa nasal que causa uma variedade de sintomas, incluindo rinorréia, espirros e entupimento nasal. Contudo pode ser alérgica ou vasomotora e atinge 22% da nossa população.

Sendo o nariz a principal porta de entrada para os pulmões, ele dispõe de uma série de mecanismos para impedir a passagem de substâncias irritantes ou perigosas.

Espirros, obstrução nasal e coriza são alguns mecanismos recorrentes no organismo de todos nós. Contudo, pessoas com rinite tendem a ter esses e outros mecanismos exacerbados e prolongados, o que pode tornar-se um grande incómodo. 

Segundo estimativas do Inquérito Nacional de Prevalência de Asma (INPA), em 2010, as queixas de rinite englobavam 22% da população portuguesa.

Esses dados também demonstraram que pessoas afetadas pela doença têm cerca de quatro vezes maior possibilidade de desenvolver asma, sendo essa taxa quase dez vezes superior quando a pessoa também sofria de sinusite.

Rinite alérgica: sensibilização por alérgeno

A rinite alérgica refere-se à inflamação da mucosa nasal, em resposta a ações de anticorpos do sistema imunitário face a uma sensibilização por alérgeno.

Surge em diferentes faixas etárias, todavia pode surgir desde a infância até à vida adulta. Isto significa que uma substância que ao longo de anos não desencadeou uma crise poderá tornar-se, futuramente, um ‘gatilho’. 

Além disso, a rinite alérgica também tem influência hereditária, ainda que os filhos possam apresentar alergia mesmo que os seus pais não a tenham.

A rinite pode ser leve, moderada ou severa, dependendo da intensidade dos sintomas e do seu impacto na qualidade de vida.

Os gatilhos são encontrados em ambientes externos e internos e incluem pólen de origens variadas (como relva, ervas daninhas e árvores), alérgenos de animais, mofos e ácaros do pó.

Rinite vasomotora: um diagnóstico mais difícil

A designação vasomotora refere-se aos vasos sanguíneos (vaso) e aos nervos (motor), responsáveis pela inervação e circulação sanguínea do nariz.

A rinite vasomotora é o tipo mais comum de rinite não alérgica, assim sendo significa que os gatilhos causadores dos sintomas não são alérgicos nem infecciosos.

Somente após a análise do historial do paciente, realização de exames físicos e teste de alérgenos é que se poderá chegar – por meio de um diagnóstico por exclusão – à doença. 

Esta inicia-se geralmente na fase adulta, podendo apresentar sintomas de congestão nasal, espirros e corrimento nasal excessivo (rinorreia), tanto de forma crónica como intermitente.

É importante mencionar que as rinites não alérgicas também são associadas a outras condições. De fato, as mais comuns são as dores de cabeça, apneia obstrutiva do sono, tosse crónica e pólipos nasais, entre outras – o que interfere na qualidade de vida dos seus portadores.

A importância dos fatores ambientais

Acredita-se que na rinite vasomotora alguns estímulos resultam numa resposta hipersensível do organismo.

Os sintomas podem agravar-se de forma aguda a partir de alguns gatilhos, tais como fatores ambientais (temperatura, pressão), luzes brilhantes, fumo, vapores de pintura, álcool, odores fortes (perfumes, tintas), comidas apimentadas ou quentes, excitação sexual e outros estados emocionais.

De modo geral a rinite está associada a alguns fatores negativos, como o impacto físico e económico nos seus portadores, efeitos colaterais decorrentes dos medicamentos utilizados no tratamento, bem como algumas limitações na hora de escolher um local para morar.

Assim como outras doenças, a rinite vasomotora crónica está associada à perda de produtividade profissional e escolar. 

Diferenças e semelhanças

Os sintomas de rinorreia, congestão, pressão facial e dor de cabeça estão igualmente presentes, tanto na rinite vasomotora como na rinite alérgica. 

A rinite vasomotora pode surgir como resposta a qualquer impureza ou mudança no ar. Porém, não envolve o sistema imunitário, como nas doenças alérgicas, e pode ter sintomas constantes ou inconstantes.

Além disso, raramente causa comichão no nariz, olhos e garganta, sintomas comuns na rinite alérgica, que apresenta gatilhos específicos, a exemplo do pólen, mofo e ácaros do pó.

Entretanto, alguns gatilhos da rinite alérgica também podem incomodar quem tem rinite vasomotora, mesmo que estes pacientes não apresentem uma resposta alérgica.   

Outra diferença refere-se à idade dos pacientes, uma vez que a rinite vasomotora geralmente está associada a uma idade mais avançada, comparativamente aos que sofrem de rinite alérgica. 

Por último, as duas doenças também podem surgir, em simultâneo, para a mesma pessoa.

Os possíveis tratamentos

Uma vez que não existe cura para a doença, o tratamento da rinite alérgica está focado na prevenção e no controlo das crises alérgicas. Esses tratamentos consistem na higienização do ambiente que cerca o paciente, no recurso a alguns medicamentos, ou ainda a vacinas anti-alérgicas.

A rinite vasomotora também não tem cura, mas pode ser controlada sempre que for feito um diagnóstico adequado.

Neste tipo de rinite, além de se evitarem os gatilhos, alguns medicamentos podem ser usados, dependendo dos sintomas.

Cirurgias são também uma opção, quando outros tratamentos não controlarem adequadamente os sintomas. Existem exercícios que ajudam ao alívio dos sintomas da rinite vasomotora, colaborando com o descongestionamento nasal e reduzindo a resistência das vias aéreas.

Se está grávida, ou se se trata de uma criança, o tratamento deve ser mais cauteloso. Dê prioridade a tratamentos preventivos e não farmacológicos. A irrigação nasal com solução salina é uma possibilidade de alívio de baixo risco. 

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Em conclusão, independentemente da sua idade e situação, deve procurar um especialista antes de qualquer procedimento ou da toma de um medicamento. 

Se sofre com os sintomas acima descritos deve ficar atento para identificar, com o seu médico, se a sua condição é de facto rinite e não outro problema respiratório, como a sinusite. 

Quanto mais cedo conseguir o diagnóstico, mais cedo poderá melhorar a sua qualidade de vida e bem-estar.

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