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Celebra-se hoje o Dia Europeu sem Carros. Integrada na Semana Europeia da Mobilidade (16 a 22 de Setembro), a data chama a atenção para a necessidade de se encontrarem alternativas de transportes menos poluentes, a bem do ambiente e da saúde das populações…

Sobre o que este Dia significa, num panorama de cada vez maior poluição atmosférica e aumento de alergias, falámos com o Engº. Pedro Santos, do Grupo Trabalho Qualidade do Ar, da Quercus, e com a Dra. Christiane Minussi, bióloga da Airfree. Dos depoimentos que nos deram ficam as considerações destes especialistas.

POLUIÇÃO DO AR – “RESPIRAÇÃO ASSISTIDA”

Para Pedro Santos é fundamental, junto das populações, informar e sensibilizar sobre a necessidade de mudar hábitos para novas tendências ambientalmente mais sustentáveis, e que simultaneamente apresentem ganhos a curto e médio prazo, quer ao nível económico, quer ao nível de saúde e qualidade de vida…

Um ar cada vez mais sobrecarregado de poluentes, tais como dióxido de carbono (CO2), óxidos de enxofre (SOx), óxidos de azoto (NOx), monóxido de carbono (CO), compostos orgânicos voláteis (COV) e partículas finas ou inaláveis (PM10 e PM2,5) entre outros, de uma forma crescente e contínua faz sentir os seus efeitos nocivos na saúde e qualidade de vida das pessoas.
Contudo o problema avança, impulsionado por economias emergentes onde as preocupações económicas e financeiras se sobrepõem às questões ambientais, pelo que a má qualidade do ar cobrará uma fatura demasiado elevada num futuro cada vez mais próximo.

Um estudo da Organização Mundial de Saúde (O.M.S.), de 25 de março de 2014 (http://www.who.int/mediacentre/news/releases/2014/air-pollution/en/), é bastante claro no que respeita ao impacto da poluição do ar na saúde humana, estimando que “em 2012 cerca de 7 milhões de pessoas morreram (uma em cada oito das mortes globais totais) em resultado da exposição à poluição do ar. Esta avaliação mais do que duplica as estimativas iniciais e confirma que a poluição do ar é agora o maior risco ambiental para a saúde. Reduzir a poluição do ar pode salvar milhões de vidas”.
Neste contexto, são necessárias e indispensáveis medidas firmes e concretas no que concerne à redução de emissões, mitigação de impacto e captura de poluentes. Hoje em dia são sobejamente conhecidas as principais fontes de emissão de poluentes. Sector dos transportes (tráfego automóvel, marítimo e aéreo), da indústria, doméstico (habitação), agricultura/florestas, e por último, é necessário ter em conta as emissões de fontes naturais. A predominância de fontes antropogénicas é evidente, assim como a predominância de combustíveis fósseis como fonte de energia. A opção por fontes de energia alternativas verdes, métodos e tecnologias ambientalmente sustentáveis é necessária.

Infelizmente, de acordo com o estudo da O.M.S., é de esperar que doenças cardiovasculares (tais como acidente vascular cerebral e doença isquémica do coração), infeções respiratórias agudas, doenças pulmonares obstrutivas crônicas, cancro do pulmão ou mesmo infeções respiratórias agudas em crianças se tornem cada vez mais frequentes.

Reduzir o nº de veículos motorizados nos perímetros urbanos

Iniciativas com a dimensão e abrangência do Dia Europeu Sem Carros (22 de Setembro) são de grande importância. Integrada na Semana Europeia da Mobilidade (16 a 22 de Setembro), a data tem como objetivo sensibilizar as pessoas, instituições e autoridades para a premência de reduzir o número de veículos motorizados nos perímetros urbanos, e aumentar a qualidade de vida, acautelando a sustentabilidade dos recursos naturais através de alternativas de transporte menos poluentes, tais como os transportes públicos e bicicletas.
Em Portugal, esta iniciativa caracteriza-se normalmente pelo fecho ao trânsito de uma ou mais ruas representativas no interior das cidades, proporcionando simultaneamente alternativas às pessoas que tenham necessidade de se deslocarem no interior das ruas em causa.

O Dia Europeu Sem Carros é uma iniciativa que se tem mostrado capaz de alertar e educar as populações das diversas cidades europeias de uma forma integrada e uníssona. Foi através de iniciativas como esta que, de forma responsável, as populações deram início a movimentos que exigem aos governantes ações e medidas para o desenvolvimento sustentável e mais amigo do ambiente.

PM2,5 E DANOS PARA A SAÚDE…

A propósito da necessidade de reduzir a emissão de poluentes atmosféricos, a bióloga Christiane Minussi refere-se muito especialmente ao PM2,5, um “vilão” que afeta a saúde a vários níveis e que, numa percentagem de 22%, é originário do tubo de escape de veículos…

Entre os poluentes, encontram-se principalmente os gases e material particulado. Este último é caracterizado por uma mistura complexa de poluentes constituídos por fumos, poeiras e todo tipo de material sólido e líquido que se encontra em suspensão na atmosfera1.
O material particulado pode ser dividido de acordo com o tamanho das suas partículas, sendo os estudos mais comuns realizados para o PM10 (partículas menores ou iguais a 10 micrômetros) e PM2,5 (partículas menores ou iguais a 2,5 micrômetros). Enquanto o PM10 é barrado nas vias aéreas superiores, o PM2,5 é capaz de se infiltrar nas regiões mais profundas dos pulmões, como os alvéolos pulmonares, onde pode causar reações severas.

O PM2,5 está associado a inflamações das vias aéreas, exacerbação da asma, possíveis alterações no sistema reprodutivo, aumento de doenças cardiopulmonares e morte por cancro1. E um incremento de apenas 10 µg/m3 de PM2,5 já foi associado a um aumento de 8% a 18% no risco de mortalidade por doenças cardiopulmonares2.

As fontes de PM2,5 são diversas, desde emissões industriais, veiculares, combustão e até mesmo componentes da crosta terrestre. Estudos mostram que em Lisboa, por exemplo, 22% do PM2,5 é originário do tubo de escape de veículos, 16% de partículas do solo, que são ressuspensas por diversos fatores, incluindo passagem de veículos, e 14% provém do desgaste de travões e pneus3. A região de Lisboa concentra quase metade dos postos de trabalho, sendo portanto uma região de tráfego intenso3.
Devido aos efeitos na saúde, alguns padrões de exposição foram estabelecidos para limites de exposição de PM2,5 na Europa, sendo o máximo de 25µg/m3 na média anual4.

Nos ambientes internos, a importância do Airfree…
A poluição oriunda de automóveis pode adentrar os ambientes internos, que também possuem fontes próprias de emissão de PM2,5, podendo causar ou agravar problemas de saúde. Se considerarmos que passamos cerca de 90% do nosso tempo neste tipo de ambientes, este dado é de extrema relevância para a saúde. Foi a pensar nisso que a Airfree criou o Airfree TSS Duo capsules combined technology, capaz não somente de eliminar microrganismos, mas também de filtrar o PM2,5, a fração fina do material particulado.

Referências:

1) Degobbi, Cristiane Minussi. Análise dos contaminantes biológicos presentes no material particulado (PM 2, 5) de amostras da região metropolitana de São Paulo. Diss. Universidade de São Paulo (USP). Faculdade de Medicina, 2009.
2) Pope III, C. Arden, et al. “Lung cancer, cardiopulmonary mortality, and long-term exposure to fine particulate air pollution.” Jama 287.9 (2002): 1132-1141.
3) Almeida, S. M., et al. “Contribuição da circulação automóvel para o aerossol atmosférico na zona norte de Lisboa.” Actas da 8ª Conferência Nacional do Ambiente. 2004.
4) Eruopean Comission. Air Quality Standards – Environment. http://ec.europa.eu/environment/air/quality/standards.htm

Agradecimentos:
– Dra. Christiane Minussi, Bióloga da Airfree
– Engº Pedro Santos – Grupo Trabalho Qualidade, da Quercus

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