Aves marinhas: Proteção e sobrevivência

Da memória de uma antiga reportagem para a sobrevivência das cagarras, na Madeira, ao atual projeto de conservação, nos Açores, de outra ave marinha ameaçada, o Painho-de-Monteiro… Ontem como hoje, há quem observe e trabalhe pela preservação das espécies.

Há vários anos a jornalista foi em reportagem à Madeira, a uma das Ilhas Selvagens, numa altura em que as cagarras estavam ameaçadas pela caça que lhes davam pescadores e outras gentes da terra, capturando as crias, aos milhares, para consumo. 🙁

Acompanhada por elementos do Museu do Mar, de Cascais, a jornalista embarcou num navio da Marinha, em missão de levar mantimentos e revezar guardas, que entretanto tinham sido colocados na Ilha a proteger as ternurentas aves…

A maior colónia mundial de cagarras está nas Ilhas Selvagens (um sub arquipélago do Arquipélago da Madeira), onde estas aves nidificam em pequenas ilhas e falésias costeiras, aí construindo os ninhos em cavidades existentes nas rochas, buracos ou por baixo de grande pedras.
Também conhecida como Ilha das Cagarras, a Selvagem Grande integra a Reserva Natural das Ilhas Selvagens, criada em 1971.

Por um mar alterado e um desembarque difícil, a então jornalista lembra hoje como a “aventura” dessa viagem foi experienciada com o entusiasmo próprio da idade em que todos temos um pouco de D. Quixote, a defender os mais fracos…

Painho-de-Monteiro: uma ave que só existe nos Açores…
Veio esta memória à tona a propósito de um texto da SPEA – Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, publicado no portal Naturlink (e de que extraímos excertos) sobre o painho-de-Monteiro, uma ave ameaçada, que só pode ser encontrada nos Açores e é agora alvo de projeto de conservação.

Espécie de ave endémica dos Açores, o painho-de-Monteiro (Oceanodroma monteiroi), – assim denominado em homenagem ao seu descobridor, o investigador Luis Monteiro – , apenas nidifica nos Ilhéus da Praia e de Baixo, localizados ao largo da Ilha Graciosa, ilha do grupo central do Arquipélago dos Açores.

Contudo, existem suspeitas da sua nidificação também nas ilhas das Flores e do Corvo. Mas com uma população de apenas 300 casais reprodutores, esta espécie apresenta um estatuto de conservação desfavorável.
De facto, são várias as ameaças a que se encontra vulnerável, mas a predação por gaivotas no Ilhéu de Baixo deverá ser a mais relevante. Todavia, é a sua localização restrita a estes dois ilhéus que mais preocupa os especialistas e que originou a necessidade de implementar um projeto de conservação dirigido à espécie.

Projeto é coordenado pela SPEA
Este projeto (fase 1) arrancou em Junho passado, com financiamento da BirdLife International e coordenação da  SPEA.

Com a constituição de uma equipa de especialistas (“Monteiroi task-force”) e a definição de um Plano de Ação que se estenderá até Abril de 2015, os principais objetivos do projeto são a monitorização da população reprodutora de painho-de-Monteiro, a identificação das principais causas de ameaça, a construção de 50 ninhos artificiais no Ilhéu de Baixo e a recuperação dos ninhos artificiais construídos anteriormente pelo Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores (DOP) no Ilhéu da Praia.
A SPEA pretende, assim, garantir a continuação dos largos anos de trabalho levado a cabo pelo DOP no estudo e conservação desta espécie, contando com o apoio e a longa experiência dos investigadores que pertencem ou já pertenceram àquele departamento da Universidade dos Açores.

ESPREITANDO OS NINHOS… 🙂
Com o apoio do Parque Natural da Ilha Graciosa, a primeira campanha de monitorização já decorreu no Ilhéu da Praia, onde foram contabilizados 73 ninhos de painho ocupados, sendo que no interior de alguns já se podia observar a pequena cria acabada de nascer…
Também o Ilhéu de Baixo foi visitado com o mesmo objetivo, avaliando-se o impacto da predação de gaivota-de-patas-amarelas sobre o painho.

EM FOCO… TAMBÉM NAS FOTOS!
Segundo Joaquim Teodósio, coordenador da SPEA Açores, o facto de o painho-de-Monteiro só poder ser observado no Arquipélago dos Açores “tem trazido entusiastas de todo o mundo, quer para fotografar ou simplesmente para observar a pequena ave”.
E, salientando a importância da preservação dos valores naturais deste arquipélago, acrescenta que “anteriores projetos implementados pela SPEA mostraram que para além da melhoria ambiental, são evidentes as mais-valias socioeconómicas para a região, como foi o caso dos projetos LIFE Priolo, LIFE Laurissilva Sustentável e LIFE Ilhas Santuário para as Aves Marinhas.”

Agradecimentos:
–  NATURLINK – O Portal da Natureza
http://www.naturlink.pt
– SPEA – Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves
   http://www.spea.pt

Coordenação de texto:
MLG

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