O que é Legionella e que doenças pode causar?

O que é Legionella e que doenças pode causar?

Surtos de contágio por Legionella exigem atenção das autoridades e população em geral, para evitar a contaminação, protegendo a todos!

Legionella é o nome dado a um grupo de bactérias, muitas das quais com potencial para causar doenças em humanos (Legioneloses). A inalação da Legionella é responsável por diferentes infeções, como a Doença do Legionário (uma pneumonia) e a Febre de Pontiac (uma infeção brônquica ligeira).

Apesar de a Doença do Legionário ter tratamento, a enfermidade pode trazer grandes problemas. É o caso do surto que tem assustado moradores do distrito de Porto, desde finais de outubro, tendo já sido registada mais de uma dezena de óbitos…

Onde é que a bactéria se encontra?

A água doce é o principal reservatório natural deste tipo de bactérias. Em ambientes aquáticos naturais (rios, lagos, etc.), geralmente as quantidades encontradas não têm o poder de causar doenças.

No entanto, a sua ocorrência também está associada a sistemas aquáticos artificiais, como torres de arrefecimento, condensadores evaporativos e fontes ornamentais. Também os equipamentos de humidificação e sistemas de água (quente ou fria), como torneiras, chuveiros, spas (jacuzzis), saunas e piscinas, entre outros de residências, hotéis, navios e fábricas, podem conter a Legionella.

É de facto nos ambientes artificiais que existe um favorecimento da proliferação dessas bactérias a níveis perigosos, sobretudo se houver uma manutenção inadequada.

Primeiros registos da bactéria

Em 1968 ocorreram os primeiros casos identificados de Febre de Pontiac em funcionários e visitantes do departamento de saúde de Pontiac, Michigan (EUA). No entanto, nessa época as bactérias do grupo Legionella ainda eram desconhecidas. Só anos mais tarde, é que se tomou conhecimento da sua existência. Isto porque a bactéria provocou na cidade de Filadélfia (EUA), em 1976, um surto de pneumonia em alguns participantes de uma convenção da Legião Americana (associação de militares veteranos dos EUA). Daí, o nome por que a doença passou a ser conhecida: Doença do Legionário.

As vias de transmissão

A via mais comum de transmissão da Legionella é por inalação da bactéria, presente nas gotículas de água (aerossol) dispersas pela água corrente de sistemas hídricos contaminados. A sobrevivência e proliferação da Legionella nos sistemas prediais pode ser favorecida pelas altas temperaturas (sobrevivem entre 25°C e 42°C), bem como em presença de águas paradas e sedimentos, entre outros fatores.  

Em casos mais raros, pode dar-se o contágio através da aspiração da Legionella (para o pulmão) ao beber água contaminada. Algumas espécies de Legionella podem ser contraídas ao manusear substratos para plantas (terra vegetal), provocando casos isolados de Legioneloses.

E, de forma geral, não ocorrem transmissões de Legionella entre pessoas.

Entretanto, acredita-se que a doença se desenvolva mesmo com uma baixa carga bacteriana, já que os surtos tendem a surgir após breve exposição, e inclusive com casos de contaminação registados até mais de 3 km de distância da origem desse surto.

Quais são os sintomas?

A Doença do Legionário é, basicamente, um tipo de pneumonia grave, com manifestação de sintomas de dois a dez dias após o contágio (habitualmente, de cinco a seis dias). Contudo, o paciente deve, num período de duas semanas após a exposição, ficar atento aos sintomas. Estes, apresentam-se na forma de dificuldade respiratória, arrepios, fadiga, febre, mal-estar, tosse seca, dores de cabeça e musculares e, eventualmente, náuseas, diarreia e dores abdominais.

É importante referir que um exame clínico não será capaz de diferenciar a Doença do Legionário de outras pneumonias. Portanto, se uma pessoa suspeitar de pneumonia deve procurar um médico, relatando eventuais contactos com Legionella, como por exemplo viagens recentes, visitas a hospitais, piscinas e saunas.

É que se a doença não for devidamente tratada pode agravar-se, sobretudo na primeira semana, sendo que de 5 a 10% dos casos acabam, infelizmente, em óbito.

Ao contrário da Doença do Legionário, a Febre de Pontiac tende a parecer uma gripe de baixa severidade. Os sintomas costumam surgir até 3 dias depois do contágio e só perduram por alguns dias da semana. A doença não evolui para pneumonia e apresenta “apenas” febre, dores musculares e de cabeça, mal-estar e arrepios.

Que tratamento?

Normalmente, a Febre de Pontiac cura-se sem a necessidade de recorrer a antibióticos, que neste caso não trazem benefícios. Por outro lado, a Doença do Legionário costuma exigir tratamento em hospitais e a utilização de antibióticos, que conseguem curar a maior parte dos casos. Mas ainda não existem vacinas disponíveis para a prevenção destas doenças.

O que fazer para reduzir o risco de infeção

As Legioneloses e, principalmente, a Doença do Legionário, pedem a implantação de protocolos efetivos de segurança e manutenção de sistemas hídricos artificiais nas instalações que os possuem e têm risco de conter a Legionella. A aliança desses protocolos com medidas de monitoramento e controle, como rotinas de higienização, desinfecção e controle físico-químico (aplicação de biocidas, controle de temperatura, etc.) vão auxiliar na contenção da Legionella e seus riscos.

Cuidados a tomar

As Legionoeloses estão geralmente relacionadas com viagens (hotéis, navios, piscinas, jacuzzi, saunas, etc), mas também são registados surtos próximos a torres de arrefecimento, entre outros casos.

Mas, independentemente da sua origem, devemos zelar pela nossa saúde, sobretudo, sendo homens (60 a 70% dos casos) e na faixa etária acima dos 50 anos (75 a 80% dos casos). Todavia, também estão mais suscetíveis as pessoas imunodeprimidas, doentes respiratórios e renais (crónicos), fumadores e consumidores de álcool em excesso.

É importante ter atenção a eventuais sintomas de pneumonia, especialmente para as pessoas que se encaixam nos mencionados grupos e não podem evitar ambientes com possível risco de proliferação da bactéria Legionella.

Com o atual surto do Norte do País é fundamental, para reduzir a possibilidade de infeção, que tanto as empresas e indústrias como o grande público estejam bem informados sobre esta doença. Só assim podem ser tomadas as medidas necessárias à saúde de todos.