Microrganismos patogénicos? Conheça o seu mundo!

Microrganismos patogénicos? Conheça o seu mundo!

Na abordagem deste assunto tão abrangente, vamos começar por saber o que são os microrganismos patogénicos, e onde habitam.

Trata-se, de facto, do grupo mais abundante que existe no Planeta, e que inclui todos os seres que são visíveis apenas ao microscópio, a exemplo das bactérias, protozoários, vírus e certos fungos, como os mofos. Os microrganismos habitam praticamente em todos os ambientes, incluindo as profundezas dos oceanos, outros corpos d’água (rios, lagos), solos, cavernas, plantas, e até mesmo o nosso corpo e as nossas casas.

Eles desempenham várias funções na natureza, como por exemplo a ciclagem de nutrientes (decomposição da matéria orgânica no solo). Participam, assim, na defesa e absorção de nutrientes no nosso corpo. São também utilizados na indústria, por exemplo, na fabricação de pães e vinhos, além de serem utilizados em processos biotecnológicos que envolvem melhorias na produção agrícola, medicamentos e biocombustíveis. 

Os patógenos oportunistas

Apesar de muito nos beneficiarmos deles, também lutamos diariamente contra os chamados microrganismos patogénicos, que são aqueles capazes de causar doenças aos seres vivos, incluindo o Homem. 

No entanto, a infeção que fará uma pessoa ficar doente só acontece na decorrência de 3 fatores: 

Virulência (a intensidade da capacidade do agente em causar infeções);

Quantidade de patógenos existentes no momento da exposição;

Predisposição do indivíduo para “adquirir” a doença. 

O mundo inteiro foi capaz de presenciar estas questões em relação do SARS-Cov-2, ou o novo coronavírus. Enquanto algumas pessoas foram expostas e não contraíram a doença, outras apresentaram sintomas de diferente gravidade, até aos óbitos. 

Apesar de todos entendermos que os microrganismos podem causar doenças, nem sempre é fácil estabelecer a linha entre um microrganismo patogénico e aquele que o não é. Isto porque uma mesma bactéria que está presente na nossa pele, protegendo-nos contra agentes invasores, pode ser a mesma que causará uma infeção até mesmo fatal, caso entre na nossa corrente sanguínea. 

Nesse caso são chamados de patógenos oportunistas, e um exemplo é o de mofos comuns que, presentes em ambientes internos, podem até causar enfermidades, como a pneumonia. 

Esses “seres invisíveis”, através da História

A importância das espécies dos microrganismos patogénicos assume relevância de acordo com o curso da História da humanidade. A sua existência é conhecida desde o século XVII, mas antes disso já se tinha a noção que algo, literalmente, poderia “estar no ar”.  

Já no século VI a.C.,  o Jainismo (uma das religiões mais antigas da Índia) postulava a existência de seres invisíveis. Até à atualidade, existe um cuidado na manipulação de alimentos que podem ser ingeridos, de forma a evitar a exposição indevida a esses microrganismos patogénicos.  

Já quase na Era Moderna, o romano Marcus Terentius Varro foi o primeiro a colocar a hipótese de existiram organismos invisíveis capazes de transmitir doenças através do ar, entrando no organismo pelo nariz e boca. No século 1 d.C, Abū Alī ibn Sīnā já sinalizava que a tuberculose poderia ser contagiosa. 

Mas apesar desses trabalhos, a noção de microrganismos ainda não era amplamente aceite e divulgada. 

Isso contribuiu para epidemias catastróficas, como as da peste negra ou bubónica, que devastou um terço da população da Europa no século XIV. Na época, os médicos acreditavam que o ar estaria envenenado e utilizavam elixires nada eficientes para evitar o contágio, ou mesmo melhorar os sintomas dos pacientes.  E só no século XIX se viria a saber que a doença era transmitida através da picada de pulgas infetadas pela bactéria Yersinia pestis. 

No século XVI, em 1546, Girolamo Fracastoro já tinha postulado a existência de agentes que seriam como “sementes” capazes de propagar doenças.  

Do microscópio à primeira vacina

No entanto, os microrganismos só seriam mesmo descobertos no século XVII, com o advento do microscópio. Antonie van Leeuwenhoek foi um dos primeiros a observá-los. Apesar das descobertas, ainda não havia sido feita uma relação direta entre micróbios e infeções. 

A primeira vacina, da varíola, criada no século XVIII pelo médico Edward Jenner, foi descrita de forma totalmente empírica, sem conhecimentos sobre o vírus. Ela foi criada a partir do líquido de vesículas contaminadas pelo vírus bovino da varíola, injetado num garoto de 8 anos, que assim adquiriu anticorpos para o vírus da varíola humana. 

Em 1847, o médico Ignaz Semmelweis foi desacreditado por uma série de colegas ao sugerir aos médicos que deveriam lavar as mãos antes de realizarem partos, ainda que essa técnica reduzisse a mortalidade entre as mulheres em trabalho de parto. 

Alguns anos mais tarde, experiências como as de Pasteur começaram a mostrar como os microrganismos se comportavam e, em 1976, Robert Koch comprovou que o anthrax poderia ser transmitido entre indivíduos e uma mesma espécie de gado. Iniciava-se a era da microbiologia moderna. 

Epidemias & Medidas sanitárias

A partir de experiências como essas, a humanidade começou a perceber que os micróbios podem ser evitados a partir de medidas sanitárias. Um marco importante nesse sentido ocorreu no século XIX, após uma epidemia de cólera, doença que tem a diarréia como principal sintoma e é transmitida por uma bactéria presente na água e alimentos contaminados. A partir daí, várias cidades tanto europeias como americanas passaram a realizar melhorias na limpeza de ruas, construção de redes de esgotos, recolha do lixo e aquisição de água potável para uso doméstico, diminuindo a taxa de infeção pela doença.

Já o século XX foi marcado não somente pelos avanços no conhecimento dos patógenos, formas de transmissão e medidas sanitárias eficientes, mas também pelos avanços na medicina, com a descoberta, por Alexander Fleming, em 1928, do primeiro antibiótico, denominado penicilina. A partir daí muitas doenças começaram a ser tratadas e até erradicadas. Se, por exemplo, a expectativa de vida nos Estados Unidos era de 43 anos em 1870, atualmente ultrapassa os 75 anos de idade.

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