Coronavírus e transmissão pelo ar: cuidados devem ir além do contacto físico
Estudos sugerem que o novo coronavírus pode ter transmissão pelo ar, o que determina a necessidade de cuidados adicionais, especialmente em ambientes fechados.

Coronavírus e transmissão pelo ar: cuidados devem ir além do contacto físico

Estudos sugerem que o novo coronavírus pode ter transmissão pelo ar, o que determina a necessidade de cuidados adicionais, especialmente em ambientes fechados.

Quando o novo coronavírus (SARS-CoV-2) começou a ganhar repercussão mundial havia poucas certezas e muitas dúvidas em relação às formas de contaminação, tratamento e letalidade. Hoje, com a mobilização de pesquisadores para desvendar as características do vírus, já existem algumas respostas e elas indicam que os cuidados devem ser redobrados para evitar possíveis contaminações. Se antes nos preocupávamos apenas com o contacto com pessoas ou superfícies contaminadas, agora precisamos também ficar atentos ao coronavírus e sua transmissão pelo ar.

2 metros? Não! 7 a 8…

Estudos realizados na China e divulgados nas últimas semanas, comprovam que gotículas infetadas podem ser carregadas por mais de dois metros – distância até então considerada segura entre duas pessoas. Modelos matemáticos estimam que essas gotículas possam ser transportadas entre sete a oito metros a partir do indivíduo doente, reforçando a relação coronavírus e transmissão pelo ar.

Isto acontece porque a pessoa infetada emite milhões de partículas, não apenas quando espirra e tosse, mas também enquanto fala, e neste caso em formatos menores, chamados de aerossóis.

Os aerossóis são micropartículas de pó, poluição ou partículas exaladas que sofrem processos de ressecamento e ficam em suspensão no ar. Para se ter uma ideia, num centímetro cúbico de ar podem existir de dez a vinte mil aerossóis. O vírus pode ser transportado por essas micropartículas –- que por sua vez se transformam em superfícies de transmissão.

Lugares fechados, sem troca de ar com o ambiente externo, são onde o vírus se concentra mais, em aerossol. Isto significa que se uma pessoa com Covid-19 passou numa sala que está fechada e contaminou o ambiente com o vírus, quem chegar horas depois ainda corre o risco de se infetar.

Estudos sobre o ar condicionado

A vigilância epidemiológica da China, que mapeia todos os movimentos de quem é testado positivo para a Covid-19, percebeu que pessoas de três famílias diferentes que almoçaram num restaurante, no mesmo dia, foram contaminadas. 91 pessoas, das quais 83 clientes e oito funcionários, estiveram no local. Mas apenas dez foram infetados.

A conclusão foi de que o fluxo de ar do aparelho de ar condicionado, localizado próximo das mesas das três famílias, fez com que as gotículas fossem levadas para mais longe do que o esperado e atingissem indivíduos que não tiveram contacto com a pessoa doente.

Para reforçar essa tese, um estudo americano também identificou partículas muito pequenas infetadas pelo SARS-CoV-2 em janelas e grelhas do ar condicionado do quarto de pacientes contaminados, corroborando a hipótese de que elas poderiam ter sido transportadas pela corrente de ar nesses ambientes.

Conoravírus e transmissão pelo ar

Assim como outras infeções respiratórias, a Covid-19 circula mais facilmente em locais pouco arejados e entre aglomerados de pessoas. Uma pesquisa da Universidade de Wuhan, na China, mostrou que o vírus é capaz de permanecer no ar por tempo indeterminado, em especial em locais sem ventilação, como restaurantes, corredores fechados ou transportes públicos.

Em dois hospitais que realizavam uma ação contra a pandemia, foram identificadas partículas do vírus no ar. Nas salas de enfermagem, por exemplo, a concentração do vírus era maior do que nas casas de banho, já que estas tinham janelas para o exterior.

Naturalmente, isto não significa que as casas de banho estejam livres de contaminação. O SARS-CoV-2 pode ser transmitido a partir de fezes, por meio do acionamento da descarga, que espalha as partículas por mais de dois metros. Assim, além de não compartilhar esta divisão da casa, pessoas doentes devem dar a descarga com a tampa fechada e desinfetar a sanita e arredores após cada uso.

Outra “dica” é que se fique atento sobre a utilização de elevadores e permanência em ambientes pequenos e fechados. Se possível, deve optar-se pelas escadas, evitando circular nos elevadores. Mas quem precisar de o fazer deve sempre utilizar máscara, sendo que o mesmo vale para supermercados e farmácias. Por fim, a etiqueta respiratória continua apropriada: quem estiver com sintomas respiratórios não deve sair de casa, e evitar o contacto com outras pessoas.

Sobre a proteção com máscara

Considerando o novo coronavírus e sua transmissão pelo ar, o distanciamento social ainda é a melhor forma de prevenção. No caso de ambientes com fluxo de pessoas a regra é que todos usem máscara, independentemente de terem, ou não, sintomas.

Contudo, para que a máscara realmente proteja é necessário seguir alguns procedimentos:

– Antes de a colocar, devem lavar-se as mãos por 20 segundos e desinfetar com álcool 70% ou álcool gel;

– Depois de colocada não se deve tocar mais nela durante todo o uso, nem pôr a mão no rosto;

– Para retirar a máscara deve primeiro lavar-se as mãos e desinfetá-las com álcool 70%, removendo-a pelas laterais, sem tocar no rosto.

– Após o uso, devem desinfetar-se as máscaras (as que puderem ser desinfetadas) e descartar imediatamente as descartáveis, ou lavar bem, com água quente e sabão, as de tecido.

Além destas medidas, que são recomendadas pelos órgãos internacionais de saúde, algumas atitudes podem melhorar a qualidade do ar interno das nossas casas. Por exemplo, deixar as janelas abertas para que o ambiente fique o mais arejado possível, e utilizar purificadores de ar capazes de eliminar vírus.

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