Celebrar o humanitarismo!

O Dia Mundial da Ação Humanitária, assinalado a 19 de Agosto, surge como homenagem a todos os agentes humanitários, mas é também motivo de reflexão sobre graves problemas mundiais da atualidade…

Médicos, enfermeiros e outros colaboradores humanitários têm uma das mais perigosas profissões do mundo, defrontando-se no dia-a-dia com a possibilidade de tiroteios, sequestros e ameaças, quando não mesmo, a morte, em países assolados por graves conflitos.
Mas é o seu trabalho diligente, na intervenção humanitária, que ajuda a fazer a diferença nas vidas dos milhões de vítimas de catástrofes naturais ou provocadas pelo Homem.
Contactámos a AMI – Fundação de Assistência Médica Internacional, que abordou o grave problema das migrações, e a Oikos – Cooperação e Desenvolvimento, que nos fala do sentido mais pleno de agir humanitariamente…

AMI: “UM PLANO QUE RESTAURE A ESPERANÇA DAS POPULAÇÕES…”
Segundo a AMI, a melhor forma de responder à crise migratória que atualmente assola a Europa é criar um “Plano Marshall” para África. E, não obstante considerar como positiva a medida anunciada no passado dia 10 pela Comissão Europeia, de criar um fundo de 2,4 mil milhões de euros, acredita também que a mesma não responde às questões de base que estão na origem das migrações.
Em Comunicado do seu Departamento de Comunicação, a AMI reforça:
“Para além de ser importante atuar internamente nesta emergência humanitária, reforçando a integração e o asilo dos migrantes que chegam aos Estados-Membros da União Europeia, é sobretudo necessário o desenvolvimento de um plano que restaure a esperança das populações africanas e as ajude a fixarem-se nos países de origem. Um projeto verdadeiramente solidário que possibilite o acesso a direitos fundamentais, como saúde, educação, emprego, habitação e água, entre outros.
É ainda imperativo que saibamos aprender com os erros cometidos no Iraque, na Síria, na Líbia e na Ucrânia. Estes conflitos incrementaram significativamente o fluxo migratório que, a termo, poderá provocar o fortalecimento dos partidos xenófobos e colocar em risco a existência das democracias ocidentais.”
Para esta ONG, fundamental é “atuar de forma preventiva nas causas dos movimentos migratórios e não apenas de forma reativa a uma crise humanitária que será, de certeza, a maior tragédia que a Europa terá que enfrentar já nos próximos anos.”

Sobre a AMI
A AMI é uma Organização Não Governamental (ONG) portuguesa, privada, independente, apolítica e sem fins lucrativos. (www.ami.org.pt)

AMI, nas palavras do seu Presidente: “As duas doenças mais graves no mundo são a Intolerância e a Indiferença…”
AMI, nas palavras do seu Presidente: “As duas doenças mais graves no mundo são a Intolerância e a Indiferença…”

Desde a sua fundação, a 5 de Dezembro de 1984, pelo médico-cirurgião urologista Fernando Nobre, a AMI assumiu-se como uma organização humanitária inovadora em Portugal, destinada a intervir rapidamente em situações de crise e emergência e a combater o subdesenvolvimento, a fome, a pobreza, a exclusão social e as sequelas de guerra em qualquer parte do Mundo.
Com o Homem no centro de todas as suas preocupações, a AMI criou quinze equipamentos Sociais em Portugal e já atuou em dezenas de países de todo o Mundo, para onde enviou toneladas de ajuda (medicamentos e equipamento médico, alimentos, roupas, viaturas, geradores, etc.) e centenas de voluntários.

Contra a Indiferença…
No seu blogue http://fernandonobre.blogs.sapo.pt o Presidente da AMI, afirma: “As duas doenças mais graves no mundo são a Intolerância e a Indiferença”.
Há dias, num comentário na TVI24 sobre as migrações para a Europa, o Dr. Fernando Nobre fez um retrato real e solidário sobre esta tragédia humanitária dos tempos modernos em contínuo crescimento…
Vale a pena ver (a partir do minuto 29).
http://tviplayer.iol.pt/programa/noticias/53c6b3613004dc006243c401/video/55c7c24b0cf21cb90d5e2643

OIKOS: “AGIR HUMANITARIAMENTE É UMA QUESTÃO DE JUSTIÇA…”
Fundada em 23 de fevereiro de 1988, em Portugal, a Oikos – Cooperação e Desenvolvimento é uma associação sem fins lucrativos, reconhecida internacionalmente como Organização Não Governamental para o Desenvolvimento (ONGD/INGO) e que trabalha com as comunidades de regiões e países mais pobres e vulneráveis, independentemente da sua origem étnica, língua, religião ou geografia.

Acesso a água potável com a reabilitação, limpeza e desinfeção de poços de água – El Salvador / Ação Humanitária Oikos, pós Tempestade Tropical Agatha
Acesso a água potável com a reabilitação, limpeza e desinfeção de poços de água – El Salvador / Ação Humanitária Oikos, pós Tempestade Tropical Agatha

“Acreditamos, acima de tudo, num mundo sem pobreza e injustiça onde o desenvolvimento humano seja equitativo e sustentável à escala local e global”, diz-nos Pedro Krupenski, Diretor de Desenvolvimento desta Organização…
“Partindo do mesmo princípio da Declaração Universal dos Direitos Humanos, de que ‘todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos’, agir humanitariamente é uma questão de justiça, no sentido mais pleno do seu significado.”

A pobreza, não como fatalidade, mas como fruto de decisões…
“A nossa atividade encontra-se estruturada em continuum nas áreas da emergência / ação humanitária, desenvolvimento / vida sustentável e mobilização / cidadania global. Existe um encadeamento lógico e sequencial entre estas três áreas: intervindo em contexto de ação humanitária e de emergência, a Oikos acode às necessidades mais básicas postas em causa por catástrofes naturais (ou provocadas pelo Homem) criando as condições para a fase de desenvolvimento, que se lhe segue, isto é, retirando as pessoas da situação de emergência e já tendo em conta o que, com elas, poderá fazer a seguir”, explica Pedro Krupenski,acrescentando:
“Com as pessoas identificamos os seus problemas. Com as pessoas identificamos as soluções para os problemas. Com as pessoas implementamos essas soluções. Só isto garante a vida sustentável. Neste processo conhecemos de forma mais próxima e real os obstáculos que as pessoas vão enfrentando e as ameaças aos seus direitos. Recolhemos assim a ‘matéria-prima’ para o eixo da mobilização / cidadania global que visa, através da sensibilização da opinião pública e da influência de políticas públicas, criar o ambiente favorável para que o trabalho desenvolvido junto das populações surta o efeito desejado.
“É esta (ou deveria ser) a ‘estrutura óssea’ da ação humanitária. É este o ciclo que deve substituir o ciclo da pobreza. A pobreza, como uma das formas transversais mais atentatórias da dignidade humana, não é uma fatalidade. É sim fruto de decisões que, mais ou menos remotamente ou mais ou menos diretamente, a causaram. Como tal, pode ser alterada se alterarmos as decisões … as nossas decisões.”

Sobre a “responsabilidade quotidiana da família humana…”
Para a Oikos, “agir em prol dos outros, em particular daqueles cuja liberdade e igualdade (em dignidade e direitos) estão em causa, é uma responsabilidade quotidiana de todos quantos fazemos parte da família humana.” É por isso importante, segundo Pedro Krupenski, existirem dias temáticos como o Dia Mundial da Ação Humanitária para nos recordar desta nossa responsabilidade e, sobretudo, para nos instruir e sensibilizar sobre a melhor forma de a exercer. E acrescenta:
“Não basta a generosidade, como a de uma senhora que insistia em oferecer a uma ONG dois mil pares de luvas de lã para serem enviadas para o Sri-Lanka após o tsunami que assolou o sudeste asiático no dia 26 de Dezembro de 2004, ignorando o facto de aquele país (subtropical), nem no apogeu do desenvolvimento precisar de tantas luvas de lã.
Além da generosidade, “é preciso sentido de Justiça e esta – ‘dar a cada um o que é seu’ – pressupõe que se saiba (ou que se procure saber) o que é de cada um para se lho atribuir. E quando sabemos o que é de cada um, não descansamos enquanto não lho damos. É essa a base do continuum em que assenta a nossa intervenção…” – www.oikos.pt
“Que o Dia Mundial da Ação Humanitária sirva para nos levar a alterar (pode-se sempre melhorar!) as nossas decisões e opções perante os outros e o mundo. Como disse Mia Couto, ‘não é segurando nas asas que se ajuda um pássaro a voar. O pássaro voa simplesmente porque o deixam ser pássaro.’ ”

Agradecimentos:
*AMI – Fundação de Assistência Médica Internacional
Anastácio Neto, Departamento de Comunicação
*OIKOS – Cooperação e Desenvolvimento
Pedro Krupenski, Diretor de Desenvolvimento
Coordenação:
MLG – Comunicação e Serviços

ORIGEM DA DATA
O Dia Mundial da Ação Humanitária honra todos aqueles que dedicam as suas vidas à assistência humanitária.
Também com a designação de Dia Mundial Humanitário, foi instituído em dezembro de 2008 e comemorado pela 1ª vez a 19 de Agosto de 2009, como homenagem a todos os trabalhadores humanitários e funcionários das Nações
Unidas que perderam a vida no cumprimento das suas missões e trabalho na promoção de causas humanitárias, apoiando as vítimas de conflitos armados.
Mais concretamente, a efeméride nasceu para assinalar o 19 de Agosto de 2003, quando a sede das Nações Unidas, em Baghdad, foi bombardeada e 22 trabalhadores da ONU e de agências humanitárias foram mortos – incluindo o chefe da Missão, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello.

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E ainda uma palavra para:

COMITÉ INTERNACIONAL DA CRUZ VERMELHA (CICV) – Organização humanitária, independente e neutra, para a proteção e assistência às vítimas da guerra e de outras situações de violência.
Com sede em Genebra, possui um mandato da comunidade internacional para servir de guardião do Direito Internacional Humanitário, além de ser o órgão fundador do Movimento da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho.
A organização foi fundada por iniciativa de Jean Henri Dunant, em 1863, sob o nome de Comité Internacional para ajuda aos militares feridos, designação alterada, a partir de 1876, para Comité Internacional da Cruz Vermelha.

MÉDICOS DO MUNDO – A Ajuda Humanitária é um dos pilares de intervenção da Rede Internacional de Médicos do Mundo (através das suas várias delegações espalhadas pelo globo), para quem esta data “é também uma oportunidade para celebrar a Humanidade e o espírito de entreajuda, no fundo, o humanitarismo.”
O projeto “Corrida Solidária” está de regresso!
Vem aí a V edição da “Corrida Solidária”, um projeto dos MdM, que já contou com milhares de participantes em todo o país. Inscreva-se entre Setembro e Novembro de 2015 e participe na iniciativa! Este ano a “Corrida Solidária” terá como tema “Educação para uma Cidadania Global” e o seu lançamento oficial será a 7 de Abril de 2016, Dia Mundial da Saúde.

MÉDICOS SEM FRONTEIRAS – Esta organização humanitária internacional foi criada em 1971, em França, por jovens médicos e jornalistas que atuaram como voluntários no fim dos anos 60 em Biafra, na Nigéria.
A sua atuação é, acima de tudo, médica. A organização leva assistência e cuidados preventivos a quem necessita, independentemente do país onde se encontram. E em situações em que a atuação médica não é suficiente para garantir a sobrevivência de determinada população, a organização pode fornecer água, alimentos, saneamento e abrigos.
Em 1999, MSF recebeu o Prémio Nobel da Paz.

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