Asma e Ar-condicionado: Amigos ou Inimigos?
Saiba se o ar-condicionado pode prejudicar a saúde das pessoas asmáticas

Asma e Ar-condicionado: Amigos ou Inimigos?

Saiba se o ar-condicionado pode prejudicar a saúde das pessoas asmáticas

O verão já passou, mas as altas temperaturas ainda podem marcar alguns dias do outono. 

Quando o calor aumenta, a nossa primeira reação é procurar um local com ar condicionado. E quem tem o aparelho em casa liga-o, para alívio do corpo.

E as pessoas com problemas respiratórios, como a asma? Será que há uma relação entre as crises de asma e o ar-condicionado?  

De forma geral, a falta de manutenção no equipamento e a queda da humidade relativa do ar em espaços que mantêm o ar-condicionado ligado por muito tempo podem, sim, ser prejudiciais ao sistema respiratório. 

Sobre a Asma

A asma é uma doença respiratória crónica, potencialmente grave e transversal a pessoas de todas as idades.

Os seus gatilhos são característicos para cada asmático, podendo haver diferentes fatores capazes de desencadear os sintomas.

Cada asmático pode ter um ou mais gatilhos envolvido – como exemplos, o fumo do tabaco, clima frio, vírus, pólenes e ácaros do pó. 

Existem diferentes tipos de asma, conforme os fatores que a causam. A asma alérgica, que é desencadeada por um alérgeno (pólenes, fungos, alimentos, alérgenos de animais), é uma das mais comuns.

Tem início geralmente na infância e pode prevalecer, mesmo que amenizada, durante toda a vida. 

A asma é uma doença que apesar de não ter cura pode ser controlada, garantido boa qualidade de vida aos seus portadores. No entanto, boa parte deles encontra-se subdiagnosticado ou subtratado. 

Asma e ar-condicionado

É um facto que o ar-condicionado pode deixar-nos vulneráveis a infeções, principalmente porque o ambiente tende a ficar mais seco, o que resseca as mucosas das vias aéreas. Assim, por causa da redução de anticorpos que iriam proteger-nos de microrganismos invasores, o sistema imunitário pode ficar comprometido. 

A situação de ressecamento pode ter um impacto ainda mais crítico para as pessoas com doenças respiratórias, como os asmáticos. Isso porque estas doenças originam mucosas mais sensíveis e, portanto, com reações mais intensas aos estímulos. 

Além disso, para aqueles que sofrem com a asma, o contraste de temperatura pode ser um gatilho para as crises. De facto, sair de um ambiente externo quente e entrar numa divisão com ar-condicionado pode desencadear uma crise asmática.

A importância da manutenção e higienização

Também é importante referir que o aumento da humidade próxima ao ar-condicionado ou HVAC (Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado), ou mesmo dentro dos aparelhos, permite o crescimento de microrganismos (especialmente fungos) nos seus diferentes componentes. Como consequência, o fluxo de ar pode transportar esses microrganismos até aos ocupantes da área onde estão instalados.

Ou seja, a falta de manutenção e higienização do ar-condicionado e HVAC, principalmente a troca e higienização regular dos filtros, é fonte de poluentes e microrganismos nos ambientes internos, trazendo problemas de saúde, como crises de asma.

Ao comparar escritórios com ventilação natural, com aqueles que tenham ventilação mecânica e ar-condicionado, alguns estudos apontam para uma maior prevalência de sintomas respiratórios entre os ocupantes de prédios com ventilação artificial. 

Contudo, ainda existem lacunas neste assunto. O real impacto do HVAC e do ar-condicionado no aumento da exposição dos ocupantes aos microrganismos, e risco para os asmáticos, ainda é debatido. 

Mas o ar-condicionado também pode ajudar

No entanto, em alguns casos o ar-condicionado pode até ajudar! Quem vive em locais com elevada poluição atmosférica, por exemplo, deve preferencialmente manter as janelas fechadas para reduzir a exposição a esse ar poluído. Isto também vale para as pessoas sensíveis a pólenes e fungos, pois não deixar entrar ar externo no ambiente é uma forma de evitar crises, quando essas substâncias estão em elevada concentração lá fora. Nessas situações o uso do aparelho pode ser uma alternativa.

Além disso, no caso de altos níveis de humidade no ambiente interno, os aparelhos de ar condicionado também podem ser uma boa opção para a baixar, o que diminui a oportunidade para o crescimento de fungos (mofos).

O equilíbrio da humidade do ar

Devemos ter em atenção a humidade relativa dos ambientes fechados. Não podemos deixá-la muito alta, para não estimular a colonização de fungos e outros microrganismos, mas também não pode ficar muito baixa. 

É que quando está muito baixa dá-se o ressecamento das mucosas, que em consequência podem desencadear crises de asma, bem como infeções virais, bacterianas, e infeções oportunistas nas vias aéreas. 

Já o ambiente mais seco tende a causar desidratação, problemas oculares, ressecamento da pele, congestão e secura do nariz, alergias (rinites alérgicas) e dores de cabeça. Ambientalmente falando, o ar seco também dificulta a dissipação de poluentes, o que pode agravar ainda mais a saúde, designadamente com situações críticas para os asmáticos.

Outros cuidados

Em relação aos aparelhos de ar condicionado a sugestão é trocar ou higienizar os filtros, de modo que se elimine tanto a sujidade como os fungos. É importante que as restantes partes do aparelho também sejam limpas, mas esse serviço pode ter de ser feito por profissionais.

Entretanto, o uso de humidificadores ou, ainda, o simples ato de colocar panos húmidos ou bacias com água num ambiente representa uma boa opção para elevar a humidade, caso esta esteja muito baixa devido ao ar-condicionado. 

Não deixar que a temperatura baixe muito é importante para evitar situações-gatilhos para crises.

Uma alternativa ao uso do ar-condicionado são os ventiladores, que também devem ser sempre higienizados. 

Para os ventiladores de teto recomenda-se ligar na função exaustão (para cima), já que a função ventilação (para baixo) pode ressuspender a poeira no ar, facilitando a sua inspiração. Quanto aos ventiladores de chão, o ideal é ligá-los em direção à parede, para que a corrente de ar não incida diretamente nas pessoas. 

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Quem sentir muito incómodo ou falta de ar em espaços com aparelhos de ar condicionado, deve verificar se eles estão com a manutenção adequada e se a limpeza está em dia. 

E, não menos importante, numa consulta ao médico ele poderá identificar se o mal-estar se deve mesmo ao equipamento ou se a outras condições no dia a dia do paciente. 

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