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Ainda, a legionella

Ainda, a legionella

“A doença, provocada pela bactéria Legionella pneumophila, contrai-se por inalação de gotículas de vapor de água contaminada (aerossóis) de dimensões tão pequenas que transportam a bactéria para os pulmões, depositando-a nos alvéolos pulmonares.”

Assim foi a doença descrita pela Imprensa, quando a semana passada o País esteve em alerta com o regresso da Legionella. Encontrada na torre de arrefecimento de uma empresa do Norte, a bactéria terá infetado várias pessoas, mas dos 10 casos inicialmente identificados, viria depois a DGS afirmar que nem todos tiveram a mesma origem de contaminação.

No rescaldo não houve vítimas mortais, mas estes casos trouxeram à memória o surto de 2014, em que 14 pessoas perderam a vida…

 

Bactérias em ambientes corporativos.

O século XX foi marcado por diversas mudanças nos ambientes corporativos, designadamente as mudanças na arquitetura e na utilização de energia. A tendência mundial foi, e ainda é, a de construção de edifícios envidraçados, com sistemas de ar condicionado, carpetes e muitos funcionários por metro quadrado. Estes ambientes tornaram-se praticamente isolados do ambiente externo, levando ao aumento de poluentes libertados internamente pelos ocupantes e pelos materiais. As bactérias fazem parte deste cenário de qualidade do ar de ambientes internos, podendo causar doenças e deflagrar crises respiratórias.

Ainda na década de 70, devido à crise energética e com o objetivo de reduzir gastos, houve redução da taxa de renovação nos sistemas de ar condicionado, pelo que as bactérias passaram a acumular-se, cada vez mais, nesses espaços. Em 1976, uma delas passou a chamar a atenção, a Legionella pneumophila, sendo uma das mais relevantes nesses ambientes.

 

A descoberta…

A bactéria foi descoberta na Filadélfia, durante uma convenção de legionários de guerra que comemoravam o bicentenário da independência dos Estados Unidos.  Aqueles que não moravam no local hospedaram-se em quatro hotéis da cidade. Depois de retornarem às suas residências, iniciaram-se os sintomas de tosse, febre, diarreia e dificuldades respiratórias. Após uma semana foram registados 150 internamentos e mais de 10 mortes, e até o final do mesmo ano foram confirmados mais de 300 casos e 29 mortes.

Investigações conduzidas por profissionais da CDC (Center for Disease Control and Prevention) mostraram que a bactéria tinha sido originada a partir da água da torre de resfriamento do sistema de ar condicionado de um dos hotéis, e que assim fora transmitida aos hóspedes.

A descoberta levou ao nome da bactéria: Legionella!

Como se transmite?

Esta bactéria ocorre naturalmente em sistemas de água, como por exemplo rios, represas e lagos. Convivemos com diversas espécies diariamente, sendo a mais perigosa a Legionella pneumophila SG1 sorogrupo 1.  No entanto, a sua transmissão dá-se apenas a partir da inalação de aerossóis (gotículas muito pequenas de água) e não acontece o contágio entre pessoas, apesar de estudos recentes terem lançado essa hipótese.

Assim, as atenções devem ser voltadas para sistemas de geram aerossóis, tais como torres de resfriamento de ar condicionado, sistemas de água quente e fria, chuveiros, fontes, saunas, humidificadores, etc. É por isso que é necessário ficar atento, não apenas em ambientes corporativos, mas também em hotéis, e até mesmo navios.

 

HIGIENIZAÇÃO. CONTROLE.

Os sintomas podem manifestar-se entre dois a dez dias após o contágio – tempo de incubação da bactéria. Normalmente são os mesmos da pneumonia (dificuldade de respirar, tosse e febre), mas também podem ocorrer reações de diarreia, cefaleia e letargia, necessitando de tratamento médico imediato.

Estima-se que 30% das pneumonias esporádicas sejam causadas por essa bactéria, que é a mais relevante no tipo de ambiente atrás referido.

É assim necessária a maior atenção à higienização dos sistemas que utilizam água quente, de forma a controlar surtos dessas bactérias, bem como efetuar análises rigorosas da qualidade do ar.

 

Sabia que?

Foi recentemente constituída uma nova associação (Associação Apoio às Vítimas Legionella – VFX), para defender as vítimas do surto que teve lugar em 2014 no concelho de Vila Franca de Xira e que infetou 403 pessoas, tendo morrido 14, devido à doença.

O objetivo? Mais apoio e encaminhamento judicial para as vítimas, no sentido de poderem defender os seus interesses na justiça.

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