O SOL É UM AMIGO, SE NOS CUIDARMOS… NESTE VERÃO, PROTEJA A SUA PELE!

Summer family vacation

Family running on a paradisaical beach

A pele é o órgão que mais sofre com as agressões típicas do Verão, nomeadamente o sol, as temperaturas elevadas e até as picadas de insetos. Daí resultarem queimaduras mais ou menos graves, infeções, envelhecimento prematuro e, nos casos extremos, cancro da pele. Por tudo isto torna-se fundamental manter esta barreira natural sempre bem protegida.

 

Todos nós já ouvimos falar das potencialmente terríveis consequências para a pele do excesso de exposição solar. Contudo, estudos recentes promovidos por entidades idóneas, indicam que uma boa parte da população portuguesa escolhe e aplica um creme de proteção solar de forma mais ou menos aleatória, sem pedir conselho profissional, para além de manter comportamentos de risco. Esta atitude, repetida ao longo dos anos e sem uma expressiva evolução positiva, tem feito aumentar a incidência de queimaduras solares, eritemas e, inclusive, cancro da pele. E isto, quer em Portugal, quer em muitos outros países da Europa.

O QUE É O CAPITAL SOLAR?

Os cerca de um terço dos portugueses que insistem em permanecer na praia ou na piscina durante as horas de maior intensidade solar parecem esquecer-se que, com uma exposição repetida, uma pele bronzeada que tão atrativa é aos 20 anos, começa a tornar-se seca, fina e enrugada a partir dos 40, aumentando com isso o risco de desenvolver cancro da pele.

O que muitos não sabem é que toda a radiação que recebemos fica gravada na memória da pele, durante toda a vida. Dito de outra forma: a pele possui o chamado capital solar, que é a quantidade de sol que consegue absorver sem se deteriorar.

Atingido o capital solar, “o copo transborda” e os danos começam a fazer-se sentir.

De que forma, é o que vamos saber a seguir.

Escaldão

O sol brilha, mas a imprudência queima. Este bem podia ser o título de uma campanha de sensibilização contra os riscos do sol. Qualquer pessoa que já tenha apanhado um escaldão sabe que não é nada agradável. Vermelhidão, ardor, formação de bolhas, febre e calafrios são as dolorosas consequências de uma exposição inadequada.

Mas isto não é o pior de tudo, já que um só escaldão – sobretudo se se produzir antes dos 15 anos de idade – eleva de forma considerável a probabilidade de desenvolver um cancro de pele.

A melhor prevenção consiste em evitar a exposição solar durante as horas mais perigosas, das 11 às 17 horas, e proteger todo o corpo – incluindo lábios, olhos, cabeça e mãos – de forma adequada.

Se não conseguir evitar a queimadura, tenha o máximo de cuidado com as bolhas: não as rebente, refresque a zona danificada com compressas de água fria e aplique um spray “after-sun” para aliviar a dor e recuperar a pele. Se o ardor não diminuir, consulte o médico.

Eritema solar

O eritema solar é menos grave do que a queimadura. Trata-se de uma congestão cutânea que se produz devido ao excesso de exposição solar. A pele adquire, então, um tom rosado intenso – popularmente, é a chamada “pele de lagosta”. Nas peles claras o eritema é mais evidente e intenso. Por vezes, chegam a formar-se bolhas.

Envelhecimento prematuro

O fotoenvelhecimento é um dos principais riscos da exposição reiterada e imprudente ao sol. O calor faz com que a pele se desidrate e perca elasticidade. Estima-se que 80 a 90% do envelhecimento cutâneo se deve ao desgaste que a luz solar produz sobre a nossa pele, ao longo de toda a vida. Os raios UV A atacam as fibras elásticas da derme, fazendo com que esta perca tonicidade e firmeza e dando lugar à formação de rugas, sobretudo no rosto, zona do decote e costas das mãos. Para evitar esta desidratação beba muitos líquidos e utilize cosmética adaptada ao seu tipo de pele.

Reações alérgicas

A verdadeira alergia ao sol é uma reação pouco comum. Muitos especialistas defendem que as manchas, ardores e pequenas ampolas de que algumas pessoas se queixam podem não passar de reações de fotossensibilidade menos complexas.

A alergia ao sol propriamente dita apresenta diferentes graus de afetação. A mais frequente surge com o início do bom tempo, altura em que aparecem lesões cutâneas, as quais, no entanto, melhoram à medida que o verão avança.

Quando se produz uma lesão cutânea aparentemente causada pela exposição ao sol, os especialistas aconselham a consultar um dermatologista para despistar possíveis causas, como a aplicação ou a toma de certos medicamentos, ou outras doenças mais graves, como o lúpus eritematoso.

Manchas

As manchas são outros dos inestéticos “presentes” de uma inadequada exposição ao astro-rei. O aparecimento de manchas solares é consequência de uma produção alterada de melanina por parte das células especializadas, os melanócitos. Para as evitar há que adotar, mais uma vez, as precauções básicas.

Cancro da pele

O cancro da pele é a pior das possíveis consequências de uma incorreta exposição solar. Apesar das campanhas preventivas, os casos de cancro cutâneo continuam a aumentar de ano para ano. O Organização Mundial de Saúde determinou que a principal causa para este aumento, desde o começo dos anos 70, é a exposição desregrada ao astro-rei, que foi prática comum durante décadas. A perda de consistência da camada de ozono e a moda do bronzeado são fatores que, somados aos escaldões sofridos durante a primeira infância e a adolescência, aumentam a probabilidade de sofrer de cancro da pele na idade adulta.

O melanoma é o tipo de cancro de pele que produz maior mortalidade. Embora ninguém esteja isento de risco, os indivíduos que se bronzeiam com dificuldade, que sofreram queimaduras solares na infância, que possuem múltiplos sinais atípicos ou que têm antecedentes familiares de melanoma são os mais propensos.

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COMO IDENTIFICAR UM MELANOMA

O sistema ABCD (assimetria, bordo, cor, diâmetro) serve para identificar manchas na pele que devem ser observadas pelo médico.

Assimetria. As lesões de melanoma costumam ter forma irregular – assimétrica –, enquanto os sinais benignos – não cancerosos – costumam ser arredondados – simétricos.

Bordo. Frequentemente, os bordos desiguais ou irregulares indicam lesões de melanoma. Os sinais benignos têm bordos lisos.

Cor. Quando se sofre um melanoma, as lesões costumam apresentar muitas sombras de cor castanho ou negro, enquanto nos sinais benignos se vê uma única sombra castanha.

Diâmetro. As lesões de melanoma têm, por vezes, mais de 6 milímetros de diâmetro, enquanto os sinais benignos costumam ser mais pequenos.

 

 

MELANINA E MELANÓCITOS

O termo melanina utiliza-se para designar um biopolímero complexo, responsável pela cor da superfície da pele. A melanina é sintetizada por umas glândulas unicelulares, situadas sobre a camada basal da epiderme: os melanócitos. Estimulados apenas pelos raios UV B, os melanócitos produzem os pigmentos melânicos e estes, ao emigrarem, impregnam toda a epiderme, desde a camada basal até à superfície.

A função essencial da melanina é a de proteger a pele do corpo humano, contra os danos que podem ser produzidos pelas radiações ultravioleta. Não obstante, após numerosas investigações constatou-se que, embora a melanina seja um filtro eficaz face aos raios UV B, a sua proteção é insuficiente contra os UV A e os infravermelhos.

As melaninas formam uma grande variedade de radicais livres, em diferentes circunstâncias, em particular sob a ação dos raios UV A. A este respeito, comprovou-se a existência de duas melaninas:

Feomelaninas ou pigmentos vermelhos – Produzem radicais livres, quando são submetidos à irradiação.

Eumelaninas ou pigmentos negros – Possuem, ao contrário, propriedades antirradicais.

Quase todas as pessoas apresentam ambos os tipos de melaninas em diferentes proporções, que variam desde as pessoas de pele muito clara, que quase só têm feomelaninas, até à raça negra, cuja epiderme quase só contém eumelaninas.

Em conclusão, podemos considerar a melanina como um filtro solar eficaz, mas que também apresenta inconvenientes: protege contra os raios UV B, mas é insuficiente perante os UV A e os infravermelhos; é variável de uns indivíduos para outros; e é seletiva, já que o bronzeado não evita o envelhecimento cutâneo produzido pelos raios UV A.

 

***

Na próxima semana concluiremos esta matéria, abordando os vários tipos e texturas de protetores solares e sua atuação consoante o tipo de pele, com conselhos para prevenir o aparecimento de rugas e, de forma genérica praticar este Verão uma vida com simples cuidados no dia a dia,mas cujos benefícios se irão também refletir, e muito, na saúde e bem-estar da sua pele.

 

Agradecimentos:

 

Revista “Saúde e Bem-estar”

(e seu editor, Francisco Duarte, que se rodeia dos melhores especialistas

para informar com qualidade e rigor.)

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