ENTRE A ÁGUA E O AR: UM SURTO QUE É UM SUSTO.

Enquanto os portugueses se interrogavam sobre o vírus do Ébola, temendo que chegasse a Portugal, eis que surgiu uma nova ameça que vem renovar procupações sobre o Ambiente, e ambientes em que vivemos…Legionella: afinal, que “bicho” é esse?

Desconhecida até pouco tempo por grande parte da população, a bactéria Legionella pneumophila chamou a atenção da comunidade portuguesa desde o final da semana passada, com o início dia 7, na região de Vila Franca de Xira, de um surto que já é o maior em Portugal e o quarto no mundo.
Até ao dia 13 já foram confirmados 311 casos, com 8 óbitos, prevendo a DGS que até dia 20 possam aparecer mais pessoas infectadas!

Blog_Pt01A história da Legionella
A bactéria foi descoberta em 1976 na Filadélfia, durante uma convenção de legionários de guerra que comemoravam o bi-centenário da independência dos Estados Unidos. Aqueles que não moravam no local hospedaram-se em quatro hotéis da cidade. Depois de regressarem a casa começaram os sintomas de tosse, febre, diarreia e dificuldades respiratórias.
Na semana seguinte já tinham sido registados 150 internamentos e 10 óbitos, e  até ao final desse ano foram confirmados mais de 300 casos e 29 mortes. investigações conduzidas por profissionais da CDC (Center for Disease Control and Prevention) mostraram que a bactéria tivera origem a partir da água da torre de resfriamento do sistema de ar condicionado de um dos hotéis, e por esse meio fora transmitida aos hóspedes. A descoberta levou ao nome da bactéria: Legionella pneumophila.

Um pouco mais sobre a bactéria

Esta bactéria ocorre naturalmente em sistemas de água, como por exemplo, rios, represas e lagos. Convivemos com diversas espécies diariamente, sendo a mais perigosa a Legionella pneumophila SG1 sorogrupo 1.  No entanto, a sua transmissão acontece apenas a partir da inalação de aerossóis (gotículas muito pequenas de água) e não se transmite por contágio entre pessoas.
Também não há motivo para preocupações com a água de cozedura dos alimentos (que gera vapor, mas não gera aerossóis) ou mesmo com a ingestão de alimentos, pensando que possam estar contaminados pela bactéria.
As atenções devem ser voltadas para sistemas de geram aerossóis, como torres de resfriamento de ar condicionado, sistemas de água quente e fria, chuveiros, fontes, saunas, humidificadores, etc.
É também é preciso estar atento ao tempo de incubação da bactéria, dado que os sintomas podem manifestar-se entre dois a dez dias após o contágio. Normalmente, os sintomas são os mesmos da pneumonia (dificuldade de respirar, tosse e febre), mas também podem manifestar-se reações de diarreia, cefaleia e letargia.

Recomendações das autoridades de saúde para residentes da região afetada:
– Evitar a “grande pressão” nas torneiras, preferindo banhos sem duche, de forma e evitar gerar aerossóis;
– Lavar a cabeça do chuveiro com lixívia;
– Evitar piscinas, jacuzzis, banheiras de hidromassagem, banhos turcos…

Quem está mais vulnerável à doença?
A população mais afetada é do sexo masculino, de idades a partir dos 30 anos. Fumadores, pacientes com doenças crónicas e que tenham o seu sistema imunológico debilitado, estão no grupo de maior risco.

TratamentoBlog_Pt02
O tratamento é feito em ambiente hospitalar, com antibióticos, e quanto mais rapidamente for iniciado, maior será a percentagem de cura.

Origem do surto
Após análise, pelas autoridades competentes, da análise da água de diversas fontes, acredita-se que a bactéria possa ter vindo da torre de resfriamento do ar condicionado da empresa Adubos de Portugal. No entanto, a bactéria também foi encontrada em amostras de água de outras torres de locais vizinhos, como no caso da empresa belga Solvay Portugal, localizada no polo industrial de Alverca. Outros locais também foram positivos para a presença da bactéria.
Uma análise das estirpes encontradas nos locais e nos pacientes pode dar respostas sobre a real origem da bactéria e, de qualquer forma, alerta para a necessidade de manutenção preventiva dos sistemas de ar condicionado e de outros sistemas que originem aerossóis.
Sabe-se, por exemplo, que torres de resfriamento são capazes de originar aerossóis que “caminham” até 3 km de distância…

Linha Saúde 24 – 808 24 24 24

Fontes:

 

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